Prisão de Carla Zambelli é o maior símbolo (até aqui) da derrocada bolsonarista
Deputada foi encontrada no apartamento onde estava morando, nos
arredores do Vaticano, e não resistiu. A prisão contou com o apoio da
Polícia Federal brasileira.
por André Cintra
Publicado 29/07/2025 18:17 | Editado 29/07/2025 18:21
Foto: Lula Marques/Agência Brasil
A deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP) – que estava foragida
na Itália desde o final de maio – foi presa em Roma na tarde desta
terça-feira (29). Ela responde por uma condenação no Brasil a dez
anos de cadeia por invasão criminosa ao sistema do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ). A informação de sua captura foi confirmada
pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Quem informou às forças policiais o endereço de Zambelli na capital
italiana foi o deputado italiano Angelo Bonelli (Verde e Esquerda), que
detalhou a denúncia no X (ex-Twitter). A deputada foi encontrada no
apartamento onde estava morando, nos arredores do Vaticano, e não
resistiu. A prisão contou com o apoio da Polícia Federal brasileira.
A pedido do governo Lula, o nome da brasileira estava na lista de
foragidos da Interpol. Ela deve ser extraditada e cumprir pena no
Brasil em regime fechado. Não cabe mais recurso. Além disso, a
prisão tende a apressar a perda de seu mandato e dificultar ainda
mais sua situação jurídica.
Em janeiro de 2023, ao lado do hacker Walter Delgatti, Zambelli
adulterou ilegalmente informações no sistema do CNJ. Delgatti, que
havia se notabilizado em 2019 por protagonizar a Vaza-Jato, está
preso. Segundo a PGR (Procuradoria-Geral da República), o objetivo
da bolsonarista era desmoralizar o Judiciário com falsos alvarás de
soltura e mandado de prisão.
A deputada buscava se reabilitar junto ao núcleo duro do
bolsonarismo, que não a perdoava pelo episódio em que Zambelli,
com uma arma em mãos, ameaçou o jornalista Luan Araújo nas ruas
do Jardins. Filmada pela imprensa, a perseguição ocorreu em 29 de
outubro de 2022, na véspera do segundo turno, e foi apontada pelo
próprio Bolsonaro como uma das causas de sua não reeleição.
Uma vez condenada, Zambelli perdeu os direitos políticos e ficou
inelegível por oito anos. Antes da Itália, ela tentou se instalar nos
Estados Unidos. A preferência pelo país europeu ocorreu porque
Zambelli tem cidadania italiana.
Se sua extradição for confirmada, a parlamentar se cristalizará como
maior símbolo (até aqui) da derrocada bolsonarista. Ela foi um dos
nomes que emergiram na política com a onda de extrema direita que,
em 2018, levou Jair Bolsonaro à Presidência da República. Naquela
eleição, Zambelli teve 76.306 votos e se tornou deputada federal por
São Paulo.
Com um mandato abertamente voltado a pautas extremistas e defesa
irrestrita do governo de destruição de Bolsonaro, a parlamentar foi
reeleita quatro anos depois com 946.244 votos – a terceira maior
votação para a Câmara em todo o Brasil. Seu desempenho, por si só,
garantiu mais duas vagas para a bancada do PL-SP.
Sem Zambelli, a extrema direita perde um importante cabo eleitoral e
vai desidratar na disputa ao parlamento em 2026. Os holofotes hão
de continuar sobre a deputada até a prisão do próximo bolsonarista
graúdo – ou, melhor ainda, do próprio ex-presidente.
Fonte: Vermelho

