Pressão de Trump não conseguirá salvar Bolsonaro, aponta pesquisa Quaest
Maioria dos brasileiros acredita que tentativa do presidente dos EUA de intervir na
política brasileira para reverter inelegibilidade será inócua
A maioria dos brasileiros não acredita que a pressão do presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, será suficiente para reverter a inelegibilidade de Jair
Bolsonaro (PL). É o que revela a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada pela
colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Segundo o levantamento, realizado entre os dias 10 e 13 de julho com 2.004
entrevistados, 59% dos brasileiros consideram improvável que Trump consiga
interferir no processo que retirou Bolsonaro da disputa eleitoral. Apenas 31%
acreditam que essa reversão poderia ocorrer.
Mesmo entre os apoiadores do ex-presidente brasileiro, a desconfiança é
expressiva: 45% dos eleitores de Bolsonaro afirmam não acreditar que Trump
será capaz de tirá-lo da inelegibilidade. Entre os eleitores do presidente Lula (PT),
o índice é ainda mais alto — 69% avaliam que a interferência do norte-americano
não surtirá efeito.
A descrença generalizada ocorre apesar dos recentes movimentos de Donald
Trump em defesa de Bolsonaro. No dia 9 de julho, o presidente dos EUA enviou
uma carta oficial ao presidente Lula ameaçando aplicar uma sobretaxa de 50%
sobre produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos. Na mesma
correspondência, Trump alegava que Bolsonaro estava sendo vítima de
perseguição política, justificando a adoção de retaliações comerciais.
Em declarações subsequentes à imprensa, Trump intensificou o tom, classificando
o processo contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal como uma "caça às
bruxas". Ele chegou a enviar uma nova carta ao ex-presidente brasileiro pedindo
que os procedimentos judiciais fossem interrompidos "imediatamente".
Apesar das tentativas do republicano de usar sua posição internacional para
pressionar as instituições brasileiras, a percepção majoritária no país é de que
Bolsonaro permanecerá inelegível — e que nem mesmo a interferência do
presidente dos Estados Unidos conseguirá alterar essa realidade.
Fonte: Brasil247

