Imprensa internacional liga Bolsonaro a plano golpista e pressões de Trump

Jornais dos EUA, Europa e Argentina destacam provas de conspiração,
plano de assassinato de Lula, sanções de Trump e julgamento como

divisor da democracia.

por  Lucas Toth

Publicado 02/09/2025 21:18 | Editado 03/09/2025 08:02

O início do julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de
Estado, nesta terça (2), repercutiu na imprensa estrangeira. Jornais e
revistas destacaram o ineditismo de um ex-presidente e altos
militares no banco dos réus, a pressão de Donald Trump contra o
Supremo Tribunal Federal (STF) e as evidências de um “plano sinistro”
que incluía assassinar Lula.
Em comum, o enquadramento de um teste histórico para a
democracia brasileira, com expectativa de desfecho até 12 de

setembro e menções a possível pena que pode somar décadas de
prisão.
The New York Times (EUA)
O NYT reconstituiu, em formato de linha do tempo, as nove semanas
entre a derrota nas urnas e o 8 de janeiro. Chamou o desenho
golpista de “plano sinistro” e disse haver um “vasto conjunto de
provas”.
Entre os pontos: tentativa de deslegitimar as urnas, rascunho de
decreto de emergência para intervir no TSE e um plano de
assassinato de Lula e Alckmin (com veneno, agentes químicos ou
explosivos), além da vigilância e eventual prisão ou morte de Moraes.
A reportagem sublinha o papel de Mauro Cid como peça-chave e
registra que, sem apoio de Exército e Aeronáutica, a articulação
fracassou — levando Bolsonaro a viajar para a Flórida antes da posse.
The Guardian (Inglaterra)
O Guardian enfatizou o caráter inédito e histórico do julgamento e
detalhou o tabuleiro político-militar: três generais do Exército e o ex-
comandante da Marinha entre os réus. Destacou ainda a campanha
de pressão do governo Trump (tarifa de 50% e sanções a Moraes),
contraposta por análises segundo as quais a ofensiva pode sair pela
culatra e enfraquecer Bolsonaro.
Em tom humano e simbólico, o jornal trouxe o trompetista que
promete tocar marcha fúnebre e Bella Ciao, dizendo fazer o “velório
político” do ex-presidente.
Washington Post (EUA)
O Post abriu com o recado de Moraes na sessão inaugural: defesa da
independência do STF e negativa a interferências de “outro Estado
estrangeiro”. Relatou as acusações de tentativa de golpe, organização
criminosa e abolição do Estado democrático de direito, com pena
potencial de até 40 anos.

Listou evidências: rascunho de decreto para assumir o TSE, suposta
edição do texto por Bolsonaro, apresentações à cúpula militar e o
plano para matar Lula, Alckmin e Moraes. Explicou o rito: colegiado de
cinco ministros, maioria simples para condenar/absolver e segunda
rodada para penas.
The Economist (Inglaterra)
A Economist reforçou o rótulo “Trump dos trópicos” e descreveu o 8
de janeiro como “esquisito e bárbaro”, com clima de festival nos
acampamentos antes da invasão dos prédios públicos.
A revista argumenta que Bolsonaro falhou por incompetência, não
por falta de intenção, e que o julgamento marca um salto civilizatório.
Em paralelo, compara Brasil e EUA: enquanto Trump pressiona com
tarifas e sanções, o Brasil “dá lição de democracia” ao levar adiante a
responsabilização.
BBC (Inglaterra)
A BBC informou que o caso entrou na fase final na 1ª Turma do STF e
destacou que Trump “abraçou” a causa de Bolsonaro, chamando o
processo de “caça às bruxas”. O canal traça o paralelo com o Capitólio
(2021) e ressalta o interesse global pelo desfecho — considerado por
analistas como provável condenação — e seu potencial como
precedente de responsabilização de altas autoridades na região.
La Nación (Argentina)
O La Nación abriu a cobertura com a acusação dura do procurador-
geral Paulo Gonet, segundo a qual Bolsonaro e aliados “tramaram
derrubar a democracia”. O jornal relata que Bolsonaro, em prisão
domiciliar, faltou à sessão por “razões de saúde” e que a corte
reservou cinco dias úteis de trabalhos até 12 de setembro.
A matéria detalha a narrativa do MP: reuniões com militares para um
decreto de emergência, campanha para semear dúvidas sobre as
urnas, papel do 8 de janeiro e até um plano de assassinato de Lula e
de um ministro do Supremo. Lembra que Bolsonaro já está inelegível
até 2030.

Libération (França)
O Libération chamou o caso de “processo do século” e disse que
“ninguém duvida” de uma condenação. Reforçou a tese de “crime
continuado” que culmina no 8 de janeiro, e revelou o documento
“Punhal verde e amarelo”, com data (15/12/2022) e método
(envenenamento) para eliminar Lula, Alckmin e Moraes.
A reportagem enfatiza a pressão de Trump: tarifa de 50%, sanções e
suspensão de vistos de ministros do STF — além do lobby de Eduardo
Bolsonaro nos EUA. Em entrevista, Valdemar Costa Neto diz: “Trump é
nossa única saída”. O jornal conclui: o veredito testará a maturidade
democrática do Brasil.

Fonte: Vermelho

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