Bloqueio a Cuba já causa perdas de US$ 2,1 tri e sufoca gerações
Sem embargos americanos, o Produto Interno Bruto cubano teria
crescido 9,2% – uma das maiores taxas do hemisfério
por Davi Molinari
Publicado 22/09/2025 19:24
Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, na ONU
O bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba há mais
de seis décadas voltou ao centro do debate internacional. Em
relatório atual apresentado na última quarta-feira (17) pelo chanceler
Bruno Rodríguez Parrilla, o Ministério das Relações Exteriores
(MINREX) detalha os impactos devastadores dessa política
imperialista, que não apenas estrangula a economia cubana, mas
aprofunda o sofrimento humano de um povo que já nasceu sob
restrições arbitrárias.
De acordo com o documento, as perdas entre março de 2024 e
fevereiro de 2025 chegaram a US$ 7,556 bilhões – um salto de 49%
em relação ao período anterior. Preparado para o debate na
Assembleia Geral da ONU sobre a resolução “Necessidade de pôr fim
ao bloqueio” em 28 e 29 de outubro, o relatório revela danos totais,
desde 1962, de US$ 170,677 bilhões, ou US$ 2,103 trilhões ajustados
à valorização do ouro. “É impossível traduzir em cifras a dor e a
privação que essa política impõe às famílias cubanas”, afirmou
Rodríguez Parrilla diante do corpo diplomático em Havana. “Isso já
acontece há várias gerações; mais de 80% dos cubanos nasceram
depois do início do bloqueio”, denunciou.
O custo humano de uma política obsoleta
Os números são eloquentes: sem o bloqueio, o Produto Interno Bruto
cubano teria crescido 9,2% – uma das maiores taxas do hemisfério.
Setores estratégicos como exportações, comércio exterior,
telecomunicações e saúde sofrem prejuízos bilionários. O relatório
mostra que dois meses de perdas bastariam para garantir
combustível ou a cesta básica anual de toda a população; em apenas
14 horas, o valor desperdiçado cobriria a insulina de todos os
diabéticos do país.
Além de privar a ilha de recursos, Washington ainda persegue as
ações de cooperação médica dos cubanos, restringe acesso a
medicamentos de ponta e bloqueia transações financeiras – em 2024,
40 bancos internacionais se recusaram a operar com Cuba, enquanto
140 transferências foram rejeitadas. A lista de obstáculos cresceu nos
últimos anos com a arbitrária reinclusão de Cuba na lista de países
“patrocinadores do terrorismo” e a ativação do Título III da Lei Helms-
Burton, que intimida empresas estrangeiras sob ameaça de sanções
judiciais.
Retrocessos diplomáticos e perseguição econômica
Se a era Obama (2014-2017) sinalizou a possibilidade de
aproximação, os anos seguintes foram marcados por retrocessos.
Donald Trump reverteu os avanços, reinstaurando restrições a
viagens, travando acordos energéticos e impondo novas barreiras ao
turismo e ao comércio. Sob sua política de “máxima pressão”, a
perseguição econômica voltou a ganhar centralidade, estratégia agora
reforçada pelo memorando presidencial de julho de 2025.
Estudos independentes americanos e europeus confirmam a
dimensão do desastre. A Escola de Direito de Columbia calcula que o
bloqueio retira de 1 a 2 pontos percentuais anuais do crescimento
cubano. Já a European Economic Review expôs os efeitos
extraterritoriais que isolam a ilha do comércio internacional. Para a
ONU, trata-se de uma clara violação da Carta das Nações Unidas e um
entrave direto aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O mundo diz não ao bloqueio
O clamor internacional é praticamente unânime. Nas últimas
resoluções da Assembleia Geral da ONU, até 187 países votaram pelo
fim da política hostil, classificando-a como “imoral” e “contrária ao
direito internacional”. Organizações regionais como a CELAC e a
CARICOM também reafirmaram solidariedade, enquanto a União
Europeia tem condenado publicamente os efeitos extraterritoriais do
embargo.
Apesar da brutalidade das sanções, Cuba segue de pé. “O bloqueio
não nos fará renunciar à nossa Revolução nem ao socialismo”,
reafirmou Rodríguez Parrilla. A resiliência, expressa em milhares de
iniciativas populares e no apoio de governos e movimentos ao redor
do mundo, reforça a convicção de que o embargo é um resquício da
Guerra Fria, sem lugar no presente. Mais de duas mil mobilizações em
2024 enviaram uma mensagem clara: a soberania de Cuba não está à
venda.
Fonte: vermelho

