Câmara quer acelerar votação da atualização da tabela do IR
Projeto do líder do governo na Câmara será relatado por Arthur Lira. Proposta
incorpora efeitos da medida provisória que trata do assunto e corre risco de não
ser votada.
A Câmara deve votar na semana pedido de urgência para acelerar a votação do
projeto (PL 2.692/25) que atualiza os valores da tabela progressiva mensal do
Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A proposta, de autoria do deputado
José Guimarães (PT-CE), que é líder do governo, incorpora os efeitos da Medida
Provisória nº 1.294/25, ampliando o valor da faixa de isenção. Se o requerimento
for aprovado, o texto poderá ser submetido ao plenário sem passar por
comissões.
A principal alteração é o reajuste da primeira faixa da tabela, aquela que define o
limite de isenção de imposto. Se aprovado, o novo teto da alíquota zero passará
de R$ 2.259,20 para R$ 2.428,80, um aumento de 7,507%. Como a comissão
mista que deveria analisar a MP não foi sequer instalada, a intenção dos
parlamentares é aprovar o projeto de lei para que as regras continuem a valer. O
prazo para votar uma medida provisória é de até 120 dias.
O texto será relatado pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), que também relata outra
proposta ligado ao IR, a que isenta quem recebe até R$ 5 mil por mês. Este
projeto, no entanto, ainda está sob análise de comissão especial.
Confira a tabela do IR conforme o projeto de José Guimarães que incorpora a MP
1.294/25:
Faixa de Renda (R$) | Alíquota (%) | Parcela a Deduzir (R$)
| Até 2.428,80 | 0% | 0,00 |
| De 2.428,81 até 2.826,65 | 7,5% | 182,16 |
| De 2.826,66 até 3.751,05 | 15% | 394,16 |
| De 3.751,06 até 4.664,68 | 22,5% | 675,49 |
| Acima de 4.664,68 | 27,5% | 908,73 |
Além disso, segundo o texto, os contribuintes com renda mensal de até R$
3.036,00 continuarão isentos de IRPF, graças à combinação entre o novo limite
de faixa e o desconto simplificado autorizado por norma da Receita Federal.
Segundo estimativas da Receita Federal incluídas na justificativa do
projeto:
– Em 2025, a medida pode gerar renúncia fiscal de R$ 3,29 bilhões.
– Em 2026, o impacto previsto é de R$ 5,34 bilhões.
– Em 2027, a projeção é de R$ 5,73 bilhões.
Esses valores já foram considerados no Projeto de Lei Orçamentária nº
1.087/2025, o que, segundo o autor, dispensa compensações adicionais exigidas
pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
A Câmara dos Deputados deve votar na próxima semana o pedido de urgência do
projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para
pessoas físicas com renda mensal de até R$ 5 mil. A medida pode beneficiar até
90 milhões de brasileiros, segundo estimativas do governo.
Isenção para até R$ 5 mil
Também sob relatoria de Arthur Lira em comissão especial, o projeto que isenta
quem ganha até R$ 5 mil por mês ainda causa polêmica entre prefeitos e
goverandores, que reclamam da perda de receita caso a medida prospere.
"Não teria nem apoio mínimo no Plenário da Câmara, ainda mais no Senado, se
houver a perspectiva de que estados e municípios estarão perdendo recursos com
a isenção do IR", afirmou Lira após reunião com o ministro da Fazenda, Fernando
Haddad, no fim de maio.
Para evitar esse impacto negativo, governo e Câmara trabalham na construção de
uma base de cálculo que garanta compensações adequadas. Um dos principais
caminhos estudados é a revisão de incentivos fiscais, que somam atualmente
cerca de R$ 600 bilhões.
Desonerações sob revisão
Segundo Lira, há a possibilidade de uma redução linear nas desonerações e
incentivos fiscais para sustentar a medida sem elevar a carga tributária direta.
"Tem quase R$ 600 bilhões em desonerações no Brasil. Está se estudando
tecnicamente, friamente, a possibilidade de uma redução linear para que a gente
possa trabalhar com uma compensação justa, igualitária", explicou o deputado.
Outras alternativas em análise incluem o aumento da alíquota para os mais ricos,
taxação maior de dividendos e ajustes na forma de cobrança do imposto, mas o
relator reforçou que o foco principal está nas renúncias fiscais.
Quem ganha e quem paga
O PL 1.087/2025 isenta totalmente do IR os brasileiros com renda de até R$ 5 mil
por mês, o que corresponde a cerca de 65% dos declarantes. Quem ganha entre
R$ 5 mil e R$ 7 mil terá desconto progressivo no valor devido. A partir de R$ 7
mil mensais, as regras atuais permanecem. A proposta também estabelece um
piso de tributação para quem ganha acima de R$ 50 mil por mês, com valores
mínimos a pagar entre R$ 18,7 mil e R$ 120 mil por ano, dependendo da renda.
Além disso, lucros e dividendos, hoje isentos, passarão a ser taxados em 10%,
inclusive quando remetidos ao exterior. A mudança busca reduzir distorções que
favorecem os mais ricos.
A expectativa do governo é que as novas regras passem a valer em 2026. Para
isso, o projeto precisa ser aprovado ainda este ano por Câmara e Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou apoio à medida,
destacando seu papel no crescimento econômico. "Daremos a devida atenção a
essa matéria, analisando-a com zelo e responsabilidade, sempre em busca de
mais justiça social e de um Brasil mais próspero para todos", disse em nota.
Impacto fiscal e justiça tributária
De acordo com o Ministério da Fazenda, o governo deixará de arrecadar R$ 25,84
bilhões em 2026, valor que aumentará para R$ 29,68 bilhões em 2028. A
estimativa é que esse montante seja compensado pela nova tributação sobre os
mais ricos, cuja arrecadação, em 2026, deve alcançar R$ 34,12 bilhões.
O diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), Marcus Pestana, considera que
o projeto mantém o equilíbrio das contas públicas. "O objetivo de justiça
tributária não contribuiria negativamente em relação ao equilíbrio orçamentário,
tornando o efeito neutro do ponto de vista do orçamento público", avalia o ex-
deputado.
Fonte: Congresso em Foco

