Copom insiste em juro de 15%, ignorando estagnação econômica

Decisão de manter a Selic no maior patamar em quase duas décadas
reforça aposta única do Banco Central na taxa de juros como
instrumento de combate à inflação, enquanto cresce o risco de

paralisar a economia

por  Cezar Xavier

Publicado 17/09/2025 19:30 | Editado 18/09/2025 08:12

Ato de Centrais Sindicais no Banco Central. Avenida Paulista, São Paulo, SP.
18 de junho de 2024. foto: Roberto Parizotti.
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira
(17) manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006.
O Banco Central (BC) justificou a medida com o argumento de que
ainda há riscos elevados de inflação, mesmo diante de sinais claros de
moderação da atividade econômica e desaceleração da renda das
famílias.
A decisão não surpreendeu o mercado, mas acendeu críticas mais
duras contra a insistência do BC em sustentar juros extremamente
elevados, mesmo quando a própria equipe econômica do governo já

reduziu a previsão de crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% neste
ano, atribuindo a revisão diretamente ao impacto da política
monetária.
A ameaça de novos aumentos
No comunicado, o Copom deixou em aberto a possibilidade de
aumentar ainda mais a taxa caso julgue necessário. O recado foi
interpretado por analistas como um sinal de que o BC não pretende
recuar tão cedo, mesmo diante de um quadro de estagnação
econômica já perceptível no crédito, no consumo e no investimento.
A ameaça de juros ainda maiores é vista como um contrassenso por
economistas críticos da atual política monetária. Trata-se de um ciclo
vicioso: o Copom segura a economia com juros sufocantes, e ao
menor sinal de que a inflação não converge rápido o suficiente,
ameaça apertar ainda mais. É uma camisa de força que sacrifica
emprego e renda.
Cegueira diante da estagnação
Ao insistir na Selic como único instrumento de controle inflacionário,
o Banco Central ignora alternativas como estímulo à produtividade,
aumento da oferta e incentivo ao investimento, todas medidas
francamente implementadas pelo governo, mas que encontra um
freio de mão no Banco Central. A manutenção prolongada dos juros
em 15% trava a expansão do crédito, desestimula o setor produtivo e
ameaça paralisar a economia em pleno ciclo de retomada.
O paradoxo é evidente: o BC justifica sua política em nome da
“estabilidade de preços”, mas compromete o próprio crescimento que
poderia sustentar a economia no médio prazo. Para sindicalistas e
setor produtivo, o Copom se fecha em um raciocínio de curto prazo,
descolado da realidade de empresas e trabalhadores. Os únicos
beneficiados são especuladores parasitários que se refestelam nos
ganhos de aplicações a juros espetaculares. O Brasil tem, inclusive,
atraído especuladores internacionais, conforme o Federal Reserve
dos EUA reduz os juros, o que tem atraído reservas em dólares e
derrubado a cotação.
Política monetária no limite

A taxa de 15% pode ser suficiente para conter pressões inflacionárias,
mas seu prolongamento – somado à ameaça explícita de novos
aumentos – tende a provocar um efeito colateral duradouro: a
estagnação. E, nesse cenário, o custo recai sobretudo sobre os
setores mais frágeis da economia, que dependem de crédito barato
para sobreviver.

Fonte: Vermelho

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