Em defesa da soberania nacional e contra taxação intervencionista dos EUA

Nós, das centrais sindicais brasileiras, representantes de trabalhadoras e
trabalhadores de diversos setores da economia, repudiamos o “tarifaço” de 50%
sobre as exportações brasileiras, anunciado pelo governo dos Estados Unidos,
liderado por Donald Trump.
Essa medida intempestiva, que remete à memória sombria da participação dos
EUA no golpe 1964, não passa de uma reação hostil às decisões do Supremo
Tribunal Federal envolvendo empresas estadunidenses que atuam no Brasil.
Trata-se, ainda, de um conluio com o bolsonarismo, que insiste em alimentar
polarizações e estimular grupos de extrema-direita a traírem os interesses
nacionais.
Alertamos para os impactos devastadores que a sobretaxa pode causar à
economia e à classe trabalhadora. Um aumento abrupto de 50% nas tarifas sobre
nossas exportações — vindas de um país com o qual mantemos mais de 200 anos
de relações comerciais — ameaça diretamente a indústria, o agronegócio e
diversos setores produtivos, com risco real de demissões em massa, fechamento
de empresas e agravamento do desemprego. A medida também tende a
encarecer o custo da produção, pressionando a inflação e elevando o custo de
vida. Há ainda o risco de instabilidade cambial.
Diante desse ataque à nossa soberania, apoiamos a resposta firme e altiva do
governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e saudamos a
recente aprovação da Lei da Reciprocidade Econômica. O governo deve utilizar
todos os instrumentos legais para proteger nossa economia e o povo brasileiro.
É também necessário exigir a cassação do mandato do deputado federal Eduardo
Bolsonaro que, mesmo abrigado no exterior e recebendo salários pagos pela
população brasileira, agiu como um verdadeiro agente estrangeiro ao fomentar
sanções contra o próprio país. Isso configura crime de lesa-pátria.
Ao mesmo tempo, defendemos que o Brasil preserve e fortaleça suas relações
internacionais, buscando uma solução pacífica, multilateral e justa. Confiamos
que o governo saberá equilibrar firmeza e diplomacia para impedir a escalada de
uma crise provocada pelo autoritarismo de Donald Trump.
Reafirmamos, por fim, nosso compromisso inegociável com a soberania nacional,
com a legitimidade das instituições democráticas e com os direitos da classe
trabalhadora. O Brasil é dos brasileiros — e somente ao povo, por meio de suas
instituições, cabe decidir os rumos do país.
Pela soberania nacional, pela democracia e pelo emprego!
São Paulo, 10 de julho de 2025

Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do
Brasil)
Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Nilza Pereira de Almeida, secretária geral da Intersindical – Central da Classe
Trabalhadora
José Gozze, presidente da Pública, Central do Servidor

 

Fonte: NCST

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *