Trump anuncia tarifa de 50% para produtos brasileiros
Presidente dos EUA envia carta a Lula anunciando tarifas, que
começarão a valer em 1º de agosto. Trump ainda se alia a Bolsonaro,
ataca as eleições brasileiras e o STF
por Murilo da Silva
Publicado 09/07/2025 19:30
Trump exibe documento com os novos índices tarifários durante
declaração à imprensa. A medida foi criticada por economistas e provocou
colapso nos mercados globais. Foto: Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs uma tarifa de
50% sobre todas as exportações brasileiras ao seu país. Este novo
episódio da guerra tarifária imposta pelo norte-americano acontece
logo após a reunião da Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro (RJ). O grupo
é visto como uma ameaça aos interesses dos EUA, pois contesta a
ordem geopolítica imposta e a hegemonia do dólar nas relações
comerciais.
O anúncio da nova taxa consta em uma carta enviada por Trump ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (9). De acordo
com o documento, as taxas entram em vigor em 1º de agosto.
O infame comunicado, em forma de carta, começa defendendo o ex-
presidente Jair Bolsonaro, o que dá provas de que a permanência de
Eduardo Bolsonaro nos EUA teve como foco este momento. O
deputado licenciado atua de forma declarada contra o Brasil ao tentar
criar obstáculos nas relações entre os países com a finalidade de
prejudicar o governo Lula. Durante a semana, Trump já havia se
manifestado em favor de Bolsonaro, o que gerou reação do Ministério
das Relações Exteriores do Brasil , assim como fez ameaças ao Brics.
Leia mais: Lula condena ameaça de Trump: “Não queremos
imperador”
No entanto, as ameaças se transformaram em ações concretas. No
texto (veja completo ao final) é dito: “a partir de 1º de agosto de 2025,
cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas e quaisquer
exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos, separada de
todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias transbordadas para
tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a essa tarifa mais alta.”
Para completar, é feita uma ameaça contra qualquer tentativa de
retaliação brasileira: “Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar
suas tarifas, qualquer que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos
50% que cobraremos.”
A inexplicável alegação de Trump para o aumento tarifário —
considerando que os EUA são superavitários na relação com o Brasil
— sustenta que o país precisa se “afastar da longa e muito injusta
relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não
tarifárias do Brasil.”
Leia mais: Ataque à soberania: Itamaraty reage ao apoio dos EUA a
Bolsonaro
O presidente dos EUA também ataca as eleições brasileiras e cita o
Supremo Tribunal Federal, o qual acusa de promover perseguição
contra a “liberdade de expressão dos americanos”, situação que é
expressa em ordens contra “plataformas de mídia social dos EUA”
— as bigs techs.
Até o momento o governo brasileiro não comentou o caso.
Veja abaixo a carta completa:
9 de julho de 2025
Sua Excelência
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil
Brasília
Prezado Sr. Presidente:
Conheci e tratei com o ex-Presidente Jair Bolsonaro, e o respeitei muito,
assim como a maioria dos outros líderes de países. A forma como o Brasil
tem tratado o ex-Presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em
todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é
uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar
ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!
Em parte devido aos ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à
violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos (como
demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que
emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas
de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de
dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro), a partir de 1º
de agosto de 2025, cobraremos do Brasil uma tarifa de 50% sobre todas
e quaisquer exportações brasileiras enviadas para os Estados Unidos,
separada de todas as tarifas setoriais existentes. Mercadorias
transbordadas para tentar evitar essa tarifa de 50% estarão sujeitas a
essa tarifa mais alta.
Além disso, tivemos anos para discutir nosso relacionamento comercial
com o Brasil e concluímos que precisamos nos afastar da longa e muito
injusta relação comercial gerada pelas tarifas e barreiras tarifárias e não
tarifárias do Brasil. Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe
de ser recíproco.
Por favor, entenda que os 50% são muito menos do que seria necessário
para termos igualdade de condições em nosso comércio com seu país. E é
necessário ter isso para corrigir as graves injustiças do sistema atual.
Como o senhor sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas dentro
do seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados
Unidos e, de fato, faremos tudo o possível para aprovar rapidamente, de
forma profissional e rotineira — em outras palavras, em questão de
semanas.
Se por qualquer razão o senhor decidir aumentar suas tarifas, qualquer
que seja o valor escolhido, ele será adicionado aos 50% que cobraremos.
Por favor, entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os
muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que
causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados
Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à
nossa segurança nacional!
Além disso, devido aos ataques contínuos do Brasil às atividades
comerciais digitais de empresas americanas, bem como outras práticas
comerciais desleais, estou instruindo o Representante de Comércio dos
Estados Unidos, Jamieson Greer, a iniciar imediatamente uma
investigação da Seção 301 sobre o Brasil.
Se o senhor desejar abrir seus mercados comerciais, até agora fechados,
para os Estados Unidos e eliminar suas tarifas, políticas não tarifárias e
barreiras comerciais, nós poderemos, talvez, considerar um ajuste nesta
carta. Essas tarifas podem ser modificadas, para cima ou para baixo,
dependendo do relacionamento com seu país. O senhor nunca ficará
decepcionado com os Estados Unidos da América.
Muito obrigado por sua atenção a este assunto!
Com os melhores votos, sou,
Atenciosamente,
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA
Fonte: Vermelho

