Empresários e trabalhadores apoiam atuação do governo Lula contra tarifaço

Sindicalistas entregaram a Alckmin o documento unitário “Propostas
das Centrais Sindicais diante da Guerra Comercial: Soberania,

Emprego e Desenvolvimento”

por  André Cintra

Publicado 16/07/2025 16:09 | Editado 16/07/2025 16:46

Foto: MDIC
Representantes do governo Lula, do empresariado e dos
trabalhadores selaram nesta quarta-feira (16) um pacto em defesa da
soberania e da economia brasileira contra os ataques de Donald
Trump, presidente dos Estados Unidos. Num encontro de duas horas
em Brasília, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ouviu a opinião de
dirigentes de entidades patronais e de centrais sindicais sobre o
tarifaço unilateral imposto por Trump.
“A reunião foi excelente”, declarou ao Portal Vermelho Flauzino
Antunes, secretário nacional de Relações do Trabalho da CTB (Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). “Há coesão e unidade
entre todos os segmentos, o que é fundamental para termos uma

solução negociada frente a essa crise. Alckmin mostrou que o
governo continuará agindo com sabedoria em busca de uma saída
que contemple as empresas exportadoras e os trabalhadores.”
Flauzino destacou que, diferentemente de reuniões anteriores, “todas
as centrais puderam falar” e, de acordo com ele, “Alckmin mais ouviu
do que falou”. Márcio Macêdo, ministro-chefe da Secretaria-Geral da
Presidência da República, também participou da conversa.
“Levamos ao governo essa preocupação de resolver a crise o mais
rápido possível, mas sem truculência, nos marcos de uma negociação
atenta à soberania. O Brasil precisa apostar no desenvolvimento e ter
alternativas”, avalia Flauzino. A redução da taxa básica de juros (a
Selic, hoje em 15%), o investimento na Nova Indústria Brasil (NIB) e o
auxílio às empresas prejudicadas pelo tarifaço foram algumas das
medidas que o dirigente da CTB apontou como necessárias para
preservar a economia e manter empregos.
Na reunião, os sindicalistas entregaram a Alckmin o documento
unitário “Propostas das Centrais Sindicais diante da Guerra Comercial:
Soberania, Emprego e Desenvolvimento”. Segundo o texto, “a
valorização do trabalho — eixo central de um projeto nacional de
desenvolvimento — deve ser parte da solução”. Além do presidente
da CTB, Adilson Araújo, o documento é assinado por dirigentes de
outras cinco centrais (CUT, Força Sindical, UGT, CSB e NCST).
As entidades defendem um projeto “com inclusão e justiça social”,
que garanta “geração e proteção de empregos, combate à
precarização do trabalho e fortalecimento da capacidade de consumo
das famílias por meio da valorização da renda do trabalho”. Na visão
das centrais, a crise exige “uma resposta firme, responsável e
coordenada, que amplie nossa cooperação internacional e fortaleça a
capacidade interna de produzir e consumir”.
Comitê Interministerial
Se as ameaças de Trump se confirmarem, produtos brasileiros
passarão a ter uma taxa de 50%, a partir de agosto, para entrar no
mercado norte-americano. A medida não tem justificativa econômica,
já que os Estados Unidos são o país com maior superávit na balança

comercial do Brasil. Além disso, conforme Alckmin tem enfatizado,
oito dos dez produtos que os EUA mais exportam para o Brasil não
são taxados.
Em resposta, o presidente Lula instituiu o Comitê Interministerial de
Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, que está sob
coordenação de Alckmin. Ao longo da semana, o setor produtivo já
havia participado de agendas com o vice-presidente e respaldado a
postura assertiva do governo. Reservadamente, os empresários
criticaram a família Bolsonaro e os governadores bolsonaristas, que
tentaram usar a crise para responsabilizar e desgastar o presidente
da República.
Nesta terça, antes de receber sindicalistas, Alckmin se reuniu com os
presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e da
Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em vídeo publicado após a
reunião, Alcolumbre afirmou que, para reagir à altura à agressão de
Trump, o Brasil deve ser “liderado pelo Poder Executivo”, com apoio
do Congresso. Foi mais uma derrota simbólica para o ex-presidente
Jair Bolsonaro – e um avanço na luta contra o tarifaço.
Fonte: Vermelho

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