Imprensa internacional repercute prisão do “ultradireitista” Bolsonaro

Jornais classificam ex-presidente como líder da extrema direita do
país, denunciam sua submissão aos EUA e destacam tentativa de

golpe contra a democracia brasileira

por  Lucas Toth

Publicado 05/08/2025 12:24 | Editado 05/08/2025 13:00

Bolsonaro participou de toda a tentativa de golpe, aponta a PF – Tânia
Rêgo/Agência Brasil
A imprensa internacional repercutiu a prisão domiciliar de Jair
Bolsonaro (PL) determinada pelo ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Alexandre de Moraes nesta segunda-feira (4)
Os principais veículos de comunicação do mundo destacaram não
apenas a gravidade das acusações contra Bolsonaro, mas também
seu papel central na extrema direita global, seu vínculo político com

Donald Trump e o risco de interferência estrangeira no Judiciário
brasileiro.
O jornal britânico The Guardian classificou Bolsonaro como “ex-
presidente de extrema direita” e destacou que ele foi preso por
descumprir restrições judiciais em meio ao processo por tentativa de
golpe.
Segundo o jornal, ele usou contas de aliados para publicar
mensagens com “claro incentivo e incitação a ataques ao Supremo
Tribunal Federal e apoio aberto à intervenção estrangeira no
Judiciário brasileiro”.
O periódico também relatou que Moraes viu nas ações de Bolsonaro
um esforço deliberado para “gerar pressão social sobre autoridades
brasileiras, em flagrante violação da soberania nacional”.
O norte-americano Washington Post informou que Bolsonaro está em
julgamento por “supostamente planejar um golpe para permanecer
no cargo, apesar da derrota nas eleições de 2022”, e destacou que o
caso mobiliza o país em plena guerra comercial com o governo
Trump.
A reportagem apontou que a ordem de prisão foi emitida após
Bolsonaro participar remotamente de uma manifestação, violando a
proibição de usar redes sociais.
A revista alemã Der Spiegel afirmou que Bolsonaro, já obrigado a usar
tornozeleira eletrônica e a respeitar toque de recolher, infringiu novas
ordens ao “influenciar deliberadamente o debate político no país por
meio de redes sociais”, com o auxílio de seus três filhos
parlamentares.
Segundo o veículo, Moraes justificou a prisão afirmando que
Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estão “sob suspeita de incitar atos
hostis contra o Brasil”.
O também norte-americano New York Times descreveu a medida
como parte de uma escalada institucional, afirmando que “as novas
medidas ameaçam agravar a maior crise diplomática em décadas
entre os Estados Unidos e o Brasil”.

O jornal também registrou que Bolsonaro está “prestes a enfrentar
julgamento por acusações de que orquestrou uma ampla conspiração
para dar um golpe e permanecer no poder após perder por margem
apertada as eleições de 2022”.
A agência Reuters ressaltou que, “em contraste com o emaranhado de
processos criminais que, em sua maioria, estagnaram contra Trump,
os tribunais e investigadores brasileiros agiram rapidamente contra
Bolsonaro, ameaçando encerrar sua carreira política e fraturar seu
movimento de direita”.
A agência também registrou a fala de Moraes de que o ex-presidente
tentou burlar as medidas ao “preparar material pré-fabricado para
ser divulgado nas manifestações e redes sociais”.
Na França, o jornal Libération publicou que a prisão de Bolsonaro
acentuou a crise institucional no país e o descreveu como “líder da
ultradireita brasileira”, investigado por tentativa de golpe e
envolvimento em trama com seus filhos para pressionar a Justiça.
A rede France24, por sua vez, destacou a acusação de Moraes de que
Bolsonaro e seu filho Eduardo “buscam sujeitar o funcionamento do
Supremo Tribunal Federal ao controle dos Estados Unidos”.
O jornal argentino Clarín também classificou Bolsonaro como
“ultradireitista” e destacou a frase de Moraes de que o Judiciário “não
permitirá que Bolsonaro trate o país como um tolo”. O portal Todo
Notícias chamou atenção para a imposição de prisão domiciliar com
restrição de visitas, incluindo a apreensão dos celulares da residência
do ex-presidente em Brasília.
A emissora estatal venezuelana TeleSUR informou que Bolsonaro
violou as medidas ao “usar as contas de seus aliados — incluindo seus
três filhos parlamentares — para publicar mensagens que
encorajavam ataques ao tribunal e apoiavam intervenção estrangeira
no Judiciário brasileiro”.
A rede Al Jazeera, do Catar, noticiou com destaque que Bolsonaro é
acusado de tentar anular as eleições de 2022, vencidas por Lula, e
que a ordem de prisão partiu após violação das condições impostas

pelo Supremo. A cobertura frisou que Bolsonaro continua a se colocar
como figura de oposição mesmo diante de restrições judiciais.
Durante os atos do domingo (4), organizados por aliados em várias
cidades do país, Bolsonaro participou remotamente de uma
manifestação em Copacabana. No evento, o senador Flávio Bolsonaro
colocou o pai no viva-voz para dizer: “Boa tarde, Copacabana. Boa
tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade.
Estamos juntos”.
O vídeo foi publicado e depois apagado das redes sociais. Na decisão,
Moraes afirmou que a tentativa de ocultar o vídeo “escancara o
desprezo pelas medidas preventivas”.
Enquanto setores internacionais denunciam as violações
institucionais cometidas por Bolsonaro, cresce o reconhecimento da
resposta firme da Justiça brasileira diante da tentativa de golpe e da
pressão estrangeira. O episódio evidencia o isolamento político do ex-
presidente no cenário global, agora envolvido em denúncias de
conspiração, desobediência judicial e apelos por interferência externa
contra a soberania nacional.

Fonte: Vermelho

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