Impactos do tarifaço de Trump ainda são “incertos”, diz ata do Copom

Ata do Banco Central destaca fim do ciclo de alta da Selic e aponta atenção
redobrada aos efeitos econômicos das novas barreiras comerciais
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-
feira (5) a ata da reunião de julho, com destaque para os efeitos potenciais das
novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Segundo o
documento, a medida norte-americana — que impôs tarifas unilaterais de 50%
sobre produtos brasileiros — pode gerar “impactos setoriais relevantes” e traz
“impactos agregados ainda incertos”.
“O comitê acompanha com atenção os possíveis impactos sobre a economia real e
sobre os ativos financeiros. A avaliação predominante no comitê é de que há
maior incerteza no cenário externo e, consequentemente, o Copom deve
preservar uma postura de cautela”, diz um trecho do comunicado oficial.
A ata também reforça que o Copom “focará nos mecanismos de transmissão da
conjuntura externa sobre a dinâmica de inflação interna e seu impacto sobre o
cenário prospectivo”.
O documento explica ainda a decisão de manter a taxa básica de juros, a Selic,
em 15% ao ano — encerrando o ciclo de aumentos iniciado em setembro do ano
passado. Desde então, foram sete elevações consecutivas. O ciclo de aperto
começou quando a taxa passou de 10,50% ao ano para 10,75% ao ano, sendo
elevada gradualmente até atingir o nível atual.
A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a
inflação. Ao elevar os juros, o objetivo é desestimular o consumo e os
investimentos, tornando o crédito mais caro e reduzindo a pressão sobre os
preços. Isso, porém, também impacta o ritmo da atividade econômica.
De acordo com projeções recentes do mercado, é improvável que a taxa Selic
volte a ficar abaixo dos dois dígitos durante o atual governo de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) e enquanto Galípolo estiver na presidência do Banco Central.
A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 16 e 17 de setembro. Até
lá, o comitê seguirá monitorando os desdobramentos das políticas comerciais dos
Estados Unidos e seus reflexos na economia brasileira.

Fonte: Brasil247

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *