Lula no New York Times: “Democracia e soberania brasileiras não estão em negociação”
Em texto publicado neste domingo (14), presidente rebate tarifas dos
EUA, denuncia pressão por anistia a Bolsonaro e defende
multilateralismo e proteção ambiental
por Cezar Xavier
Publicado 14/09/2025 16:26
Em artigo na imprensa norte-americana, Lula defende soberania brasileira
frente a ofensiva d Trump. Foto: Ricardo Stuckert
No artigo publicado no New York Times, neste domingo (14), o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar duramente a
decisão do governo Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre
produtos brasileiros. Segundo ele, a medida é “equivocada e ilógica”,
já que os EUA acumulam superávit de US$ 410 bilhões no comércio
com o Brasil nos últimos 15 anos e a maior parte de suas exportações
entra no país com tarifas baixíssimas ou nulas.
Lula reconheceu a legitimidade da busca americana por
reindustrialização e empregos, mas apontou que recorrer a medidas
unilaterais não resolve o problema. “O multilateralismo oferece
soluções mais justas e equilibradas”, escreveu.
Acusações de motivação política
O presidente afirmou que a tarifação não tem base econômica e sim
política. Segundo Lula, Washington estaria usando tarifas e a Lei
Magnitsky para tentar garantir impunidade a Jair Bolsonaro,
condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de
golpe de Estado.
Ele destacou que o julgamento no Supremo foi histórico e conduzido
dentro da Constituição de 1988, lembrando que investigações
revelaram planos de assassinato contra ele próprio, o vice-presidente
Geraldo Alckmin e um ministro do STF, além de um decreto que
visava anular as eleições de 2022.
Defesa da regulação digital
Lula também rebateu as acusações de que o Brasil estaria
perseguindo empresas americanas de tecnologia. Segundo ele, todas
as plataformas — nacionais ou estrangeiras — estão sujeitas às
mesmas regras. Classificar como censura a regulação digital, disse, é
“desonesto”, já que o objetivo é proteger famílias contra
desinformação, fraudes e crimes como exploração infantil.
“Não podemos aceitar que a internet seja uma terra sem lei”,
escreveu o presidente.
Soberania tecnológica e financeira
Outro alvo das críticas de Trump foi o sistema de pagamentos
brasileiro, o Pix, apontado como prática desleal. Lula respondeu
afirmando que, pelo contrário, o Pix promoveu inclusão financeira de
milhões de brasileiros e impulsionou a economia.
Meio ambiente e Amazônia
Na questão ambiental, Lula lembrou que o Brasil cortou o
desmatamento da Amazônia pela metade nos últimos dois anos e
que a polícia brasileira apreendeu centenas de milhões de dólares em
bens ligados a crimes ambientais.
Mas advertiu: “A floresta seguirá em risco se outros países não
reduzirem suas próprias emissões”. O presidente ressaltou que a
degradação da Amazônia poderia afetar o regime de chuvas de todo o
hemisfério, inclusive do meio-oeste americano.
Relação com os EUA: cooperação, mas com limites
Apesar das críticas, Lula afirmou que o Brasil segue aberto ao diálogo
e à cooperação com Washington em áreas de interesse comum. Citou
o próprio discurso de Trump na ONU em 2017, quando o americano
disse que nações soberanas fortes devem trabalhar lado a lado com
respeito mútuo.
“Estamos prontos para negociar o que for de benefício mútuo. Mas a
democracia e a soberania do Brasil não estão na mesa”, concluiu.
Os cinco pontos centrais do artigo de Lula
1. Tarifas de Trump
Lula classificou a tarifa de 50% contra produtos brasileiros
como “equivocada e ilógica”.
Argumentou que os EUA têm superávit de US$ 410 bilhões no
comércio com o Brasil nos últimos 15 anos.
Defendeu o multilateralismo como solução mais justa para
desequilíbrios globais.
2. Condenação de Bolsonaro
Denunciou motivação política por trás das tarifas, ligadas à
tentativa de pressionar por impunidade ao ex-presidente.
Reforçou legitimidade da condenação no STF, citando provas de
planos de assassinato e decreto golpista.
3. Regulação digital
Rechaçou acusação de censura contra empresas de tecnologia.
Afirmou que a regulação busca proteger famílias de fraudes,
desinformação e crimes.
“A internet não pode ser uma terra sem lei”, escreveu.
4. Pix e soberania tecnológica
Defendeu o sistema de pagamentos instantâneos como
inclusão financeira de milhões de brasileiros.
Rebateu críticas americanas de prática desleal: “não podemos
ser punidos por inovar”.
5. Meio ambiente e Amazônia
Alertou que a Amazônia só sobreviverá se outros países também
reduzirem emissões.
Destacou queda de 50% no desmatamento em dois anos.
Lembrou apreensões milionárias em operações contra crimes
ambientais.
Fonte: Vermelho

