Maioria dos brasileiros rejeita anistia a Bolsonaro e condenados do 8 de Janeiro

Pesquisa Datafolha mostra que pressão do centrão pela anistia
enfrenta resistência popular, sobretudo no Nordeste; apoio cresce

entre ricos e evangélicos

por  Cezar Xavier

Publicado 14/09/2025 12:58

Bolsonaro concede coletiva sobre julgamento no TSE Foto:Tânia
Rêgo/Agência Brasil
A tentativa de setores do Congresso Nacional de aprovar uma anistia
ampla ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aos condenados pelos
ataques de 8 de janeiro de 2023 esbarra em forte resistência popular.
Segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de setembro,
54% dos brasileiros são contra perdoar Bolsonaro, condenado pelo
STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado
e outros crimes. Apenas 39% apoiam a medida.

Entre os envolvidos nos atos de depredação em Brasília, a rejeição é
ainda mais clara: 61% se opõem a qualquer tipo de perdão, contra
33% que defendem a anistia. Esses números reforçam a percepção de
que a sociedade brasileira valoriza a responsabilização pelos ataques
às instituições democráticas.
Divisões regionais e sociais
O levantamento revela diferenças significativas por região e perfil
socioeconômico. No Nordeste, a rejeição à anistia chega a 63%. Já no
Sul e no Norte/Centro-Oeste, há equilíbrio maior, com índices
próximos ao empate técnico.
Entre os mais ricos e os evangélicos, o apoio à anistia é superior à
média nacional, alcançando 50% e 52%, respectivamente. Esses
recortes indicam como a base social e ideológica do bolsonarismo
ainda resiste em defender sua liderança, mesmo diante de uma
condenação histórica.
Contexto político e internacional
A pressão por uma anistia ganhou força no centrão e entre
governadores aliados de Bolsonaro, como Tarcísio de Freitas
(Republicanos), que se somaram à campanha liderada pelo deputado
Eduardo Bolsonaro. A movimentação também dialoga com o cenário
internacional: o ex-presidente Donald Trump, aliado de Jair
Bolsonaro, já retaliou o Brasil com tarifas de 50% sobre exportações e
sanções a ministros do STF, acusando perseguição política.
Ainda assim, a aprovação de uma anistia encontra obstáculos. O
Senado e o Supremo Tribunal Federal, que já firmaram jurisprudência
contra perdões a crimes contra o Estado Democrático de Direito,
seriam barreiras decisivas caso a Câmara avance com a pauta.
Prisão de Bolsonaro e percepção da Justiça
O Datafolha também mostra que metade dos brasileiros (50%)
defende a prisão de Bolsonaro, enquanto 43% se opõem. O dado
chama atenção porque acompanha a mudança de percepção sobre a
efetividade da Justiça. Se em abril e julho a maioria acreditava que o
ex-presidente escaparia da pena, a proximidade e conclusão do

julgamento no STF inverteram as expectativas: agora 50% acham que
Bolsonaro efetivamente irá para a prisão, contra 40% que ainda
duvidam.
Um divisor de águas
A condenação de Bolsonaro marca um divisor de águas na história
política do país. É a primeira vez que um ex-presidente é sentenciado
por tentar se manter no poder à revelia da Constituição, rompendo
com um ciclo de impunidade em episódios de rupturas institucionais.
O embate entre a pressão congressual por anistia e a rejeição popular
a esse movimento se tornará um dos eixos centrais da disputa
política no curto prazo. Enquanto a sociedade dá sinais de que não
deseja apagar os crimes golpistas, parte da elite política insiste em
negociar a memória da democracia em nome da conveniência.

Fonte: Vermelho

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