STF determina prisão de Jair Bolsonaro por descumprir medidas cautelares

Ministro Alexandre de Moraes afirma que ex-presidente usou redes
sociais de filhos e aliados para driblar restrições e incentivar ataques

ao Supremo e à soberania nacional

por  Cezar Xavier

Publicado 04/08/2025 18:41 | Editado 04/08/2025 18:44

O ex-presidente Jair Bolsonaro está oficialmente em prisão domiciliar. Foto:
José Cruz/Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF),
determinou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-
presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorre após o magistrado
constatar que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares impostas
anteriormente, como a proibição de uso das redes sociais e de
contato com outros investigados.

Segundo Moraes, Bolsonaro utilizou perfis de aliados políticos e de
seus três filhos parlamentares para continuar disseminando
mensagens com conteúdo de ataque ao STF e apoio à intervenção
estrangeira no Judiciário brasileiro.
“Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar
imposta a Jair Messias Bolsonaro”, escreveu o ministro na decisão.
Tornozeleira eletrônica, restrição de visitas e celulares recolhidos
A decisão determina que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar em sua
residência, sob as seguintes condições:
 Uso de tornozeleira eletrônica;
 Proibição de visitas, com exceção de familiares próximos e
advogados;
 Recolhimento de todos os celulares disponíveis no local.
Para Moraes, as restrições mais severas são necessárias para impedir
a continuidade das condutas ilícitas do ex-presidente.
“As condutas de Bolsonaro demonstram a necessidade e adequação
de medidas mais gravosas de modo a evitar a contínua reiteração
delitiva do réu.”
Estratégia digital para burlar proibições
O ministro afirma que, mesmo sem usar diretamente suas contas nas
redes sociais, Bolsonaro preparou materiais destinados à publicação
por terceiros. A prática, segundo Moraes, mantém sua influência ativa
no ambiente digital e reforça a tentativa de obstrução da Justiça.
“A participação dissimulada de Jair Messias Bolsonaro, preparando
material pré-fabricado para divulgação nas manifestações e redes
sociais, demonstrou claramente que manteve a conduta ilícita de
tentar coagir o Supremo Tribunal Federal.”
Participação indireta em atos de rua
No domingo (3), manifestações pró-Bolsonaro e por anistia foram
realizadas em diversas cidades do país. No Rio de Janeiro, o senador

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) organizou o ato em Copacabana e colocou o
pai em uma ligação por viva-voz para falar com os apoiadores.
“Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É
pela nossa liberdade. Estamos juntos”, disse Bolsonaro.
Flávio ainda postou, posteriormente, um vídeo com o outro lado da
ligação — mostrando Bolsonaro, de casa, gravando a mensagem.
Para o STF, a cena reforça a estratégia deliberada de descumprimento
das cautelares e uso da imagem do ex-presidente para estimular
manifestações contra a Corte Suprema.
“Os apoiadores políticos de Jair Messias Bolsonaro e seus filhos,
deliberadamente, utilizaram suas falas para a propagação de ataques
e impulsionamento dos manifestantes com a nítida intenção de
pressionar e coagir esta Corte Suprema”, diz o despacho.
Risco de reiteração delitiva
O ministro Alexandre de Moraes ressaltou ainda que Bolsonaro já
havia desrespeitado medidas menos severas anteriormente, o que
reforça a necessidade de ações mais duras por parte do Judiciário.
A decisão do STF marca mais um capítulo de tensão entre o ex-
presidente e a Justiça, em um cenário que envolve investigações
sobre tentativa de golpe, uso indevido das redes sociais e ataques às
instituições democráticas.

Fonte: Vermelho

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