Lula vai à França estreitar parcerias entre países em áreas estratégicas
Visita acontece de 4 a 9 de junho. Entre agendas de Estado e
homenagens, presidente brasileiro deverá assinar novos acordos e
parcerias com país europeu
por Priscila Lobregatte
Publicado 01/06/2025 12:38 | Editado 01/06/2025 13:46
Os presidentes Macron e Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Na próxima quarta-feira (4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia
sua visita à França, que se estenderá até o dia 9 de junho. Esta será a
primeira visita de Estado de um presidente brasileiro ao país em 13 anos
e a segunda de Lula à frente do Brasil.
“A visita acontece num momento muito positivo do relacionamento
bilateral, com aproximação em diversas áreas. Durante sua passagem
pela França, Lula terá vários encontros com Emmanuel Macron”, explica
o embaixador Flávio Goldman, diretor do Departamento de Europa do
Ministério das Relações Exteriores.
Segundo Goldman, durante a visita, serão discutidos o relacionamento
bilateral e temas da agenda internacional, como a necessidade de
reforma da governança global, a defesa do multilateralismo, o combate
ao extremismo e a preparação para a COP 30.
A programação inclui encontros com o presidente francês, Emmanuel
Macron, além de atividades econômicas, culturais e acadêmicas, e
cerimônias oficiais que simbolizam o estreitamento da parceria
estratégica entre Brasil e França.
Agenda intensa
O primeiro compromisso de Lula em Paris será a cerimônia oficial de
chegada ao Pátio de Honra (ou Cour d’Honneur) da Esplanada dos
Inválidos, local frequentemente utilizado para cerimônias, desfiles e
outros eventos.
Em seguida, o presidente brasileiro se reúne com Macron no Palácio do
Eliseu, sede do governo francês, em um encontro entre as delegações
dos dois países, seguido por uma cerimônia de assinatura de atos, além
de declarações à imprensa.
Além das agendas de Estado, em sua visita Lula também será agraciado
com o título de doutor honoris causa pela Universidade de Paris 8,
fundada em 1969, como desdobramento dos protestos de Maio de 1968
na França. “Localizada na região periférica de Paris, a universidade foi
criada com o propósito de democratizar o ensino superior, sempre tendo
forte vínculo com a classe trabalhadora, com públicos marginalizados,
estudantes, cientistas e imigrantes. Portanto, uma instituição
comprometida com políticas sociais”, disse Goldman.
Lula também será homenageado pela Academia Francesa , equivalente à
Academia Brasileira de Letras. Ele será o segundo brasileiro, depois de
Dom Pedro II, desde 1635 — quando a instituição foi criada — a receber
a rara homenagem, concedida a apenas 19 chefes de Estado até hoje.
Dentre as atividades que Lula cumprirá está prevista, ainda, a visita de
Lula e Macron a um dos marcos da programação do Ano do Brasil na
França para a Expo França 2025, no Grand Palais.
Também consta da agenda a participação de Lula na sessão do Fórum
Econômico Brasil-França. O encontro reunirá autoridades e líderes
empresariais de ambos os países para discutir temas como transição
energética, inovação, infraestrutura e oportunidades de negócios e
investimentos.
No dia 7 de junho, Lula e Macron seguem para Toulon, no sul da França,
onde visitam a base naval da Marinha Francesa — o que, segundo o
governo, reforça “a parceria estratégica e a cooperação em temas de
defesa e segurança”.
Outra importante atividade é a participação de Lula, no dia 8, de evento
em Mônaco sobre a economia azul, com enfoque na questão da
utilização econômica e mobilização de financiamento para a conservação
dos oceanos.
No dia seguinte, o presidente vai a Nice para a Terceira Conferência das
Nações Unidas sobre os Oceanos. A conferência busca promover o
Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 14, da Agenda 2030,
que é dedicada à conservação e uso sustentável dos oceanos, mares e
recursos marinhos. Ao todo, são esperados 60 chefes de Estado para a
atividade.
De acordo com embaixador Carlos Cozendey, secretário de Assuntos
Multilaterais Políticos do Itamaraty, “o presidente Lula foi convidado a
participar da primeira sessão da conferência, e para co-presidir o
primeiro painel junto com o primeiro-ministro da Grécia, Kyriákos
Mitsotákis”.
Ainda segundo o diplomata, “o Brasil está promovendo alguns desses
eventos: um sobre oceanos e mudança do clima, Making Waves from
Paris to Belém, fazendo conexão entre a conferência dos oceanos e a
COP em Belém, e um painel sobre cultura oceânica, com a Unesco, que
dá relevo ao compromisso brasileiro de incluir cultura oceânica nos
currículos da educação básica”.
Parceria Brasil-França
Em 2024, durante visita ao Brasil do presidente Emmanuel Macron, foi
assinado o Novo Plano de Ação da Parceria Estratégica, renovando as
bases das relações bilaterais. O documento é dividido em 24 capítulos,
que versam sobre temas como a cooperação em defesa; questões
transfronteiriças; em ciência, tecnologia e inovação; e meio ambiente,
entre outros.
Leia também: Em parceria Brasil-França, Lula e Macron lançam
submarino Tonelero
Como desdobramento dessas relações, está o Programa de
Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), orçado inicialmente em € 6,7
bilhões e hoje em torno de € 8,6 bilhões. Trata-se do maior projeto de
cooperação internacional na área de defesa desenvolvido pelo Brasil. O
objetivo da iniciativa é dotar o Brasil da capacidade de projetar e de
construir, de forma autônoma, submarinos de propulsão nuclear.
Na área econômica, diz o embaixador Goldman, a França é também um
importante parceiro. “A nossa corrente comercial atingiu US$ 9,1 bilhões
em 2024, alta de 8% em relação ao ano anterior. Também é um
importante investidor no Brasil, terceira origem de investimentos diretos
no país, com US$ 66,3 bilhões em estoque, volume que vem registrando
crescimento nos últimos anos”, explica.
Acordos previstos
Segundo o governo brasileiro, estão previstas, ainda, assinaturas de
importantes atos e acordos internacionais, sobretudo nas áreas de
energia, saúde, educação, ciência e tecnologia e segurança e ainda são
esperados anúncios relevantes na área de investimentos.
Na área de clima e energia, há expectativa de adoção de uma nova
declaração dos dois líderes sobre a mudança do clima. Também devem
ser anunciadas novas iniciativas de cooperação na área da educação,
entre instituições universitárias francesas e brasileiras. No âmbito da
saúde, é esperado o anúncio de novas ações de cooperação entre a
Fiocruz e o Instituto Pasteur, envolvendo a produção de vacinas.
No que diz respeito à ciência, tecnologia e inovação, espera-se o
lançamento de um diálogo digital que vai permitir o fortalecimento da
cooperação em áreas essenciais como inteligência artificial, computação
de alto desempenho e semicondutores.
Quanto à segurança, estão previstas parcerias de fortalecimento da
cooperação entre as instituições brasileiras e francesas.
Com informações da Agência Gov

