Governo lança programa para zerar fila de especialistas no SUS
Com investimento de R$ 2 bilhões por ano, “Agora tem especialistas”
mira diagnósticos rápidos, turnos estendidos e 3 mil vagas de residência
médica
por Barbara Luz
Publicado 01/06/2025 08:14 | Editado 01/06/2025 14:22
Ricardo Stuckert / PR Com aposta na telessaúde e equipamentos para
radioterapia, Ministério da Saúde vai consolidar a maior rede pública de
prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer | Foto: Ricardo Stuckert / PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (30) a
Medida Provisória que cria o programa Agora tem especialistas, com
foco em reduzir drasticamente o tempo de espera por atendimento no
Sistema Único de Saúde (SUS). A ação prevê apoio federal direto para
contratar serviços especializados em parceria com clínicas e hospitais
privados.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, será criado um
credenciamento contínuo para essas unidades, com investimento de R$
2 bilhões anuais. “A União autorizará gestores municipais e estaduais a
aderir a esse credenciamento, permitindo que contratem esses serviços
de forma mais ágil. Caso não consigam, o governo federal também
poderá efetuar essa contratação”, afirmou.
A medida também amplia a atuação da AGSUS, antes limitada a
territórios indígenas, para qualquer região com necessidade comprovada.
“Estamos dando mais um passo para fazer aquilo que é uma obsessão
do senhor, presidente. […] Alguns estudos apontam que no Brasil, cerca
de 370 mil óbitos aconteceram em 2023 por conta do atraso no
diagnóstico”, destacou Padilha.
Super centro de diagnóstico e mais telemedicina
Um dos pilares do programa é a criação de um centro nacional de
diagnóstico oncológico, em parceria com o INCA e o AC Camargo
Cancer Center, capaz de emitir até 3 mil laudos por dia com base em
exames enviados digitalmente de todo o país. “Uma das grandes
dificuldades no atendimento oncológico é a biópsia, devido à baixa
quantidade de patologistas clínicos no país (cerca de 500 em 2024,
contra 2 mil em 2013)”, explicou Padilha.
A expansão da telessaúde também faz parte do plano. A tecnologia já
demonstrou reduzir em até 30% a necessidade de consultas presenciais,
e será usada para aproximar os grandes centros de cidades do interior.
Policlínicas também terão atendimento aos sábados e domingos, com
ampliação de horários para cirurgias eletivas e tratamentos oncológicos.
Além disso, a MP prevê que ressarcimentos de planos de saúde ao SUS
possam ser trocados por procedimentos realizados em hospitais
privados, beneficiando diretamente usuários do sistema público.
Residência médica, unidades móveis e comunicação com pacientes
Para enfrentar a desigualdade na distribuição de especialistas —
concentrados em SP, RJ e DF — o programa prevê a abertura de 3 mil
novas vagas de residência médica. “Serão abertas 3 mil novas vagas de
residência médica”, anunciou o ministro.
O plano inclui ainda 150 carretas equipadas com médicos e aparelhos
para exames, minicirurgias e biópsias, que circularão em regiões
desassistidas. Também serão adquiridas ambulâncias, vans e micro
ônibus com recursos do PAC da Saúde.
Haverá comunicação direta com pacientes da fila do SUS. “A partir de
agora, 90 mil pessoas que entraram na fila de regulação do SUS
começarão a receber mensagens diretas do Ministério da Saúde sobre o
programa, o status de seu atendimento e se o procedimento já foi
realizado”, disse Padilha. A meta é usar o aplicativo Meu SUS
Digital para expandir essa comunicação a partir de agosto.
“Todos os prestadores de serviço que utilizam recursos do SUS terão de
alimentar um banco de dados de saúde do Ministério, permitindo um
monitoramento mais transparente dos tempos de espera, como por
exemplo, a média de espera para cirurgias oftalmológicas, um dado
atualmente indisponível”, completou o ministro.
Lula se emociona e agradece ex-ministra Nísia Trindade
Ao final do evento, Lula fez um agradecimento público à ex-ministra da
Saúde, Nísia Trindade, a quem atribuiu parte significativa da estruturação
do novo programa, apesar de ela ter sido retirada do cargo no início do
ano.
“Queria começar agradecendo a nossa querida companheira Nísia, ex-
ministra da Saúde. Ela fez um esforço quase desumano para colocar
esse programa em pé. Eu sei o quanto ela trabalhou, o quanto eu cobrei
(…) metade disso aqui, ou um pouco mais, é de responsabilidade da
companheira Nísia”, disse o presidente, visivelmente emocionado.
“Queria dizer para Nísia que foi um erro meu não ter chamado ela para
esse evento de hoje.”
Lula também falou da importância pessoal do projeto. “Esse programa é
um sonho da minha vida. Muita gente ainda morre no Brasil. Todo mundo
sabe que vai morrer um dia, mas se a gente puder garantir o
retardamento da morte, temos obrigação de fazer isso.”
Por fim, a MP também criou 385 novos cargos efetivos na Anvisa,
responsáveis pelo controle e fiscalização de novos equipamentos
adquiridos com os recursos do programa.
Fonte: Vermelho

