Maio Lilás reflete sobre o trabalho com campanha ‘CLT: Quem conhece, defende’
A iniciativa Maio Lilás busca ampliar o conhecimento sobre os direitos previstos na
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Entenda
Neste mês de maio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) dá início à campanha
Maio Lilás, que neste ano traz o slogan “CLT: Quem conhece, defende”. A ação
convida especialmente os jovens a refletirem sobre o papel do emprego formal na
construção de relações de trabalho mais estáveis, protegidas e justas. Entenda na
TVT News.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre os direitos previstos na
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estimular espaços de diálogo e
construção coletiva sobre o futuro do trabalho.
A campanha inclui uma série de ações, como conteúdos nas redes sociais do MPT,
uma edição especial da Revista MPT em Quadrinhos — dedicada à conscientização
sobre práticas antissindicais — e um evento nacional em celebração aos 16 anos
da Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e do Diálogo Social
(Conalis). As atividades pretendem aproximar diferentes públicos da discussão
sobre proteção social e caminhos possíveis para garantir um trabalho digno em
tempos de mudanças profundas nas formas de contratação.
CLT protetora no Maio Lilás
Se de um lado a chamada “nova economia” oferece promessas de autonomia e
flexibilidade, do outro, a realidade de milhares de trabalhadores é marcada pela
ausência de direitos e pela vulnerabilidade. É o que aponta uma pesquisa recente
da ONG Ação da Cidadania, divulgada em abril. Segundo o levantamento, 41%
dos entregadores de comida por aplicativo já sofreram acidentes de trabalho;
entre esses, 38,8% afirmaram ter sofrido acidentes graves, com afastamento.
Além disso, 56,7% dos entrevistados disseram trabalhar todos os dias da semana
— o que evidencia a precariedade por trás da aparente liberdade.
Para a procuradora regional do Trabalho Viviann Brito Mattos, coordenadora
nacional da Conalis, a proposta do Maio Lilás deste ano é abrir caminhos para que
a juventude se aproxime da ideia de trabalho formal como uma forma de
proteção, e não de limitação.
“Para muitos jovens, o trabalho formal parece antiquado ou sem ambição. Mas
essa visão ignora o que realmente está em jogo. A CLT não limita — ela protege.
Ter carteira assinada não é sinônimo de mediocridade, é sinal de que há uma
rede de direitos que sustenta quem trabalha. Com a campanha deste ano,
queremos abrir espaço para que a juventude reconheça o valor da proteção
coletiva e participe ativamente das conversas sobre o futuro do trabalho”, afirma.
A vice-coordenadora nacional da Conalis, Priscila Moreto de Paula, também
procuradora do Trabalho, reforça que a CLT ainda é essencial, mesmo diante das
transformações nas formas de produção.
“Se o modo de produção ainda é o capitalista, o mundo do trabalho não mudou. A
grande maioria das pessoas depende de sua força de trabalho para sobreviver, e
as condições de trabalho ofertadas, quando ausente qualquer regulamentação,
produzem miséria, privações e sofrimento. O trabalho protegido, compreendido
como aquelas condições de trabalho minimamente dignas previstas na CLT e no
Texto Constitucional, é fruto de luta da classe trabalhadora e sua aplicação, se o
mundo do trabalho não mudou, deve ser para toda e qualquer relação de
trabalho. A CLT é uma conquista que continua fazendo sentido — e que pode ser
aplicada junto com as novas formas de trabalhar.”
Maio Lilás
Criada em 2017, a campanha Maio Lilás acontece anualmente para promover o
diálogo social e fortalecer a luta pela liberdade sindical. A cor lilás, símbolo da
campanha, é um tributo às 129 mulheres trabalhadoras que foram trancadas e
queimadas vivas em uma fábrica têxtil em Nova Iorque, em 8 de março de 1857,
após reivindicarem melhores condições de trabalho. No momento do incêndio
criminoso, confeccionava-se um tecido lilás — símbolo que, até hoje, representa
resistência e luta por dignidade no trabalho.
Fonte: TVTNews

