Moraes ignora sanções dos EUA e chama bolsonaristas de covardes e traidores

O ministro usa a sessão da abertura do Judiciário para se manifestar
pela primeira vez sobre a Lei Magnitsky, sancionada contra ele pelo

governo norte-americano de Donald Trump

por  Iram Alfaia

Publicado 01/08/2025 16:35 | Editado 01/08/2025 17:54

Alexandre de Moraes durante a abertura da sessão do Judiciário (Foto:
Antonio Augusto/STF)
Sem citar os nomes do deputado Eduardo Bolsonaro, o filho 03 de Jair
Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo, neto do ditador João Batista
Figueiredo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal
Federal (STF), disse que eles agem nos Estados Unidos de maneira
“covarde e traiçoeira” para obstruir o Judiciário brasileiro.
Nesta sexta-feira (1º), Moraes usou a sessão de abertura dos
trabalhos do Judiciário no segundo semestre, no plenário do STF, para
se manifestar pela primeira vez sobre a Lei Magnitsky, usada contra

ele pelo governo norte-americano de Donald Trump a pedido dos
bolsonaristas.
Trump acusa o ministro de perseguir Bolsonaro, que é réu no STF na
ação penal pela tentativa de golpe de Estado. A lei autoriza o governo
daquele país a punir violadores dos direitos humanos com
congelamento de ativos financeiros.
Leia mais:  Brasil se une em solidariedade a Alexandre de Moraes e à
soberania
Moraes disse que vai ignorar as sanções que foram aplicadas e
continuar trabalhando, sempre de forma colegiada, tanto no plenário
quanto na Primeira Turma do STF, onde é o relator da ação penal
contra Bolsonaro,
“As ações prosseguirão. O rito processual do STF não se adiantará,
não se atrasará. O rito processual do Supremo irá ignorar as sanções
praticadas”, assegura.
O ministro afirma que é flagrante a finalidade de coagir a corte no
julgamento da ação penal do núcleo crucial da tentativa de golpe de
Estado do dia 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, o País observa
diversas “condutas dolosas e conscientes” de uma verdadeira
organização criminosa, que gera “reflexos nocivos à economia e à
sociedade brasileira”
“De forma jamais anteriormente vista em nosso país, age de maneira
covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar submeter o
funcionamento deste Supremo ao crivo de um Estado estrangeiro”,
denunciou. “Não tiveram coragem de continuar no território nacional.
E traiçoeiras, essas condutas, porque atuam por meio de atos hostis,
mentirosos, derivados de negociações espúrias e criminosas com a
patente finalidade de obstrução à justiça”, completa.
Tarifaço
O ministro disse ainda que são flagrantes a ação dos bolsonaristas na
“defesa de escusos interesses pessoais e o sabor amargo da traição à
pátria e ao povo brasileiro”.

Moraes lembra que eles usaram as redes sociais para assumir a
intermediação com o governo de Trump para a impor a taxação de
50% dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos.
“Tendo como consequência, assim que se iniciarem, na verdade, a
consequência já se iniciou, um grandioso prejuízo aos nossos
empresários e a possibilidade de perda de milhares e milhares de
empregos de brasileiros e brasileiras”, critica.
Mendes
Moraes recebeu apoio do decano da corte, ministro Gilmar Mendes,
para quem o STF “não se dobra a intimidações” e que o compromisso
do Supremo é com a Constituição.
Ele também foi direto nas críticas aos bolsonaristas: “Um deputado
federal que, na linha de frente do entreguismo, fugiu do país para
covardemente difundir aleivosias contra o Supremo Tribunal Federal,
num verdadeiro ato de lesa-pátria.”
O decano destacou ainda que os julgamentos do Tribunal não se
submetem a interesses políticos, pressões externas ou simpatias
ideológicas.
“A toga que vestimos simboliza a imparcialidade e o compromisso
exclusivo com a Constituição, que, como toda constituição
democrática, divide os poderes e garante a existência de um Poder
Judiciário autônomo”, diz.
Barroso
Na abertura da sessão, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso,
defendeu as instituições e a atuação do ministro.
Ele lembra que, a partir de 2019, aconteceram vários episódios graves
como ataques às instituições, ao sistema eleitoral e aos ministros do
STF.
Recorda também a tentativa de atentado a bomba no aeroporto de
Brasília e acampamento de milhares de pessoas em portas de
quartéis pedindo a deposição do presidente eleito, culminando com a

invasão e depredação da sede dos três Poderes da República em 8 de
janeiro de 2023.
“Nem todos compreendem os riscos que o país correu e a
importância de uma atuação firme e rigorosa, mas sempre dentro do
devido processo legal”, disse, referindo-se a Moraes.
“Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o
colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo,
do Leste Europeu à América Latina”, completa.

Fonte: Vermelho

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