PF envia ao STF provas obtidas nos EUA sobre escândalo das joias de Bolsonaro
Depoimentos e imagens colhidos em parceria com o FBI detalham
transporte, venda e uso de bens de luxo recebidos durante o governo do
ex-presidente.
A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF)
na última quinta (9) um pen drive contendo imagens e depoimentos
obtidos nos Estados Unidos no caso do esquema de desvio e venda
ilegal de joias recebidas pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL). O material é fruto de uma cooperação com o Departamento de
Justiça dos EUA (DOJ) e pode embasar uma eventual denúncia da
Procuradoria-Geral da República (PGR).
Os documentos e depoimentos foram levantados no contexto do Acordo
de Assistência Jurídica em Matéria Penal (MLAT), firmado entre a PF e o
DOJ, no ano passado.
O MLAT é um tratado bilateral que facilita a cooperação entre
autoridades de diferentes países e é um instrumento para a proteção de
dados pessoais e para que autoridades brasileiras possam compartilhar
dados com autoridades estrangeiras.
Em abril do ano passado, uma equipe da PF foi aos Estados Unidos e
trabalhou em conjunto com o FBI (Federal Bureau of Investigation) no
caso. Os agentes visitaram quatro cidades americanas: Miami, Orlando,
Nova York e Wilson Grove.
Os policiais foram em lojas onde auxiliares de Bolsonaro teriam vendido
os itens valiosos da Presidência, com ajuda do tenente-coronel Mauro
Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Cid, em colaboração com a
PF e o FBI, detalhou endereços e nomes dos locais onde ocorreram as
negociações.
Imagens de câmeras de segurança foram confiscadas para ajudar no
inquérito, à época. O material mostra, por exemplo, Mauro Cid
negociando a venda de relógios.
O envio faz parte de um inquérito que investiga a comercialização de
bens de luxo presentes do governo saudita, que deveriam integrar o
acervo público brasileiro. A documentação foi remetida ao ministro
Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, e inclui imagens de
câmeras de segurança, notas fiscais e depoimentos de testemunhas
colhidos nas cidades norte-americanas.
O inquérito aponta que Bolsonaro e aliados teriam utilizado aeronaves
oficiais para transportar os itens de luxo aos EUA. Entre os objetos
investigados estão dois kits de joias: o “Kit Rosé”, que inclui abotoaduras
e um relógio da marca Chopard, e o “Kit Ouro Branco”, com itens da
Rolex, vendidos por até US$ 68 mil.
Segundo a PF, o esquema teria movimentado R$ 6,8 milhões. Parte do
dinheiro obtido com as vendas teria sido utilizada para financiar
despesas pessoais de Bolsonaro durante sua estadia nos Estados
Unidos entre dezembro de 2022 e março de 2023.
A corporação destacou que o ex-presidente não movimentou suas contas
bancárias no período, preferindo operar em espécie. A utilização de
dinheiro vivo é uma das formas preferidas por criminosos devido a
dificuldade de rastreamento.
Em julho de 2024, Bolsonaro foi indiciado pela PF por peculato, lavagem
de dinheiro e associação criminosa. Outros 11 aliados também foram
enquadrados, entre eles o ex-ministro Bento Albuquerque e o advogado
Frederick Wassef. De acordo com o inquérito, Bolsonaro tinha “plena
ciência” do esquema desde 2019.
Agora, cabe à PGR decidir se apresenta denúncia ao STF. Caso seja
aceita, Bolsonaro será julgado pelos ministros da Corte.
Fonte: Vermelho

