STF avança e ouve mais testemunhas na ação penal pela tentativa de golpe
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) disse que esse processo é
fundamental para a responsabilização dos que atentaram contra a
democracia brasileira
por Iram Alfaia
Publicado 27/05/2025 16:11 | Editado 27/05/2025 16:41
Foto: reprodução/STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu nesta terça-feira (27) mais
cinco testemunhas na ação penal pela tentativa de golpe. Entre as
pessoas indicadas por Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e da
Segurança Pública do Distrito Federal (DF), estava o delegado da Polícia
Federal (PF) Caio Pelim, que foi surpreendido ao saber que estava
sendo investigado no inquérito.
Ele era diretor de Combate ao Crime Organizado da PF e responde a
inquérito de 2022, o qual acreditava que estava encerrado. Pelim é
investigado pelas operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para a
realização de blitzes no segundo turno das eleições para supostamente
impedir que eleitores do Nordeste, visivelmente favoráveis à candidatura
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, votassem.
Torres é acusado de fazer parte do “núcleo crucial” do golpe na mesma
ação penal com Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier
dos Santos, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, o
ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-chefe do Gabinete de
Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno e o ex-ministro da Casa
Civil e da Defesa Walter Braga Netto.
Nesta segunda-feira (26), na condição de testemunha do general de
Exército Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI), o servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
Cristian Schneider afirmou que Alexandre Ramagem, então diretor da
Abin, tinha uma sala no Palácio do Planalto e despachava diretamente
com Bolsonaro.
De acordo com ele, Ramagem era indicação de Bolsonaro, e não de
Heleno, a quem a Abin estava subordinada.
Avanço
Na avaliação da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), esse processo
de ouvir as testemunhas é fundamental para a responsabilização dos
que atentaram contra a democracia brasileira e para a defesa do Estado
Democrático de Direito.
“O Supremo avança no julgamento dos responsáveis pela tentativa de
golpe de Estado entre 2022 e 2023, com foco nas oitivas das
testemunhas de defesa dos réus do ‘Núcleo 1’, incluindo o ex-presidente
Jair Bolsonaro e altos membros de seu governo. Na última semana,
foram ouvidas testemunhas indicadas pela defesa de Mauro Cid, ex-
ajudante de ordens de Bolsonaro, e nesta semana, estão previstos os
depoimentos do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e parlamentares
aliados. As audiências, conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes,
prosseguem até 2 de junho. Até o momento, 31 dos 34 denunciados pela
Procuradoria-Geral da República já se tornaram réus, incluindo militares
e civis envolvidos na trama golpista”, avaliou.
Fonte: Vermelho

