Trabalhadores estão satisfeitos, mas criticam salários e jornadas, mostra FGV IBRE

FGV IBRE lança indicadores inéditos do emprego com foco em satisfação, renda,
jornada e saúde mental dos trabalhadores
Estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o trabalho atual uma taxa de 75,2%
dos trabalhadores. Mas a baixa remuneração e a carga horária elevada ainda são
pontos críticos: entre os que se disseram insatisfeitos (7,5% dos entrevistados),
mais da metade (50,5%) apontaram o salário como o principal motivo de
descontentamento. Os dados são da nova série de indicadores voltados à
qualidade do emprego no Brasil lançada pela Fundação Getulio Vargas (FGV
IBRE).
“Com taxas de desocupação próximas do mínimo histórico, o aquecimento do
mercado de trabalho se reflete na satisfação dos trabalhadores. Mas ainda há
alertas importantes, como a baixa remuneração e a sobrecarga de trabalho”,
avalia Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE e responsável pela análise.
Proteção social e insegurança
A sondagem mostra também que 72% dos brasileiros não se sentem protegidos
ou se consideram apenas parcialmente protegidos caso percam a principal fonte
de renda. Apenas 43,4% afirmam que teriam acesso a programas sociais ou
benefícios do governo em caso de desemprego.
Quanto à percepção sobre estabilidade no trabalho, 29,2% dizem não saber
avaliar o risco de perder o emprego nos próximos seis meses, enquanto 16,6%
consideram essa possibilidade provável ou muito provável.
Renda e custo de vida
Dois terços dos entrevistados (66,6%) disseram que a renda atual cobre os
gastos essenciais como moradia, alimentação, saúde e educação. Mas os dados
evidenciam pressões sobre o orçamento doméstico: alimentação (74,2%), aluguel
ou financiamento da moradia (42,2%) e contas de serviços públicos (36,8%)
foram os itens mais citados como os que mais pesam no bolso dos trabalhadores.
Mercado de trabalho: percepção e expectativas
Apesar do quadro geral de satisfação, 58,9% consideram difícil ou muito difícil
conseguir um emprego atualmente. Para os próximos seis meses, 37,2% dos
entrevistados esperam piora nas condições do mercado de trabalho, enquanto
apenas 26,2% demonstram otimismo.
A nova série de indicadores da FGV IBRE será divulgada mensalmente, com base
em médias móveis trimestrais. Cada edição trará um aprofundamento temático —
o foco deste primeiro relatório foi a satisfação com o trabalho. Os dados da
próxima edição serão publicados em 15 de agosto.

Fonte: Rádio Peão Brasil

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