Vereador de SP é cassado por difamação contra Boulos e fica inelegível
Rubinho Nunes (União Brasil- SP) divulgou falso laudo médico dizendo
que candidato do Psol seria viciado em cocaína. Documento também é
base de ação do MPE contra Pablo Marçal
por Priscila Lobregatte
Publicado 31/05/2025 15:32 | Editado 01/06/2025 14:18
Rubinho e Marçal durante a campanha. Foto: reprodução
A Justiça Eleitoral de São Paulo cassou o mandato do vereador da
capital paulista Rubinho Nunes (União Brasil) e o declarou inelegível por
oito anos. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (30) e diz respeito à
divulgação de falso laudo médico no qual o então candidato a prefeito
Guilherme Boulos (PSol) era caracterizado como usuário de cocaína,
além de dizer que ele teria sofrido um surto psicótico.
De acordo com a Justiça, a publicação feita por Rubinho, dois dias antes
do primeiro turno das eleições de 2024, configurou uso indevido dos
meios de comunicação social, abuso de poder político e fraude à
legislação eleitoral.
O laudo havia sido divulgado inicialmente pelas redes sociais do ex-
coach e então candidato à prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal
(PRTB).
A informação contida do suposto laudo foi desmentida e classificada
como falsa por perícia da Polícia Científica — o médico indicado no
documento estava morto havia anos.
A Justiça apontou que Rubinho manteve a postagem por 26 minutos,
período suficiente para receber quase 4 mil curtidas e se espalhar pela
internet.
Na avaliação do juiz responsável pela sentença, Antonio Maria Patiño
Zorz, Rubinho teve uma atitude de “alta reprovabilidade”. O magistrado
também apontou que a postagem, disponibilizada para seus mais de 400
mil seguidores, tinha “potencialidade lesiva para interferir na lisura e no
equilíbrio das eleições”.
A ação foi movida por Leonardo dos Reis Adorno Becker Grandini,
candidato a vereador pela federação PSOL-Rede. Ainda cabe recurso da
decisão, tomada em primeira instância.
MPE x Marçal
O falso laudo também é parte do arcabouço acusatório que compõe
denúncia feita, igualmente nesta sexta (30), pelo Ministério Público
Eleitoral — no caso, diretamente contra Marçal.
A denúncia trata das difamações, ocorridas em mais de uma ocasião na
campanha de 2024, promovidas pelo ex-coach contra o atual deputado,
insinuando que o psolista seria usuário de cocaína.
Além de chamá-lo de “cheirador” em uma entrevista, em um dos debates,
transmitidos pela Bandeirantes, Marçal usou gestual para insinuar o uso
de drogas pelo seu adversário. Além disso, disseminou o laudo
fraudulento via redes sociais.
O Ministério Público afirma que Pablo Marçal agiu em conjunto com mais
duas pessoas: o biomédico Luiz Teixeira da Silva Júnior, que teria
elaborado o falso laudo, e o advogado Tassio Renam Souza Botelho,
que teria publicado o documento na conta de Instagram do ex-coach,
com sua autorização.
Marçal já foi condenado em outras ações pela Justiça Eleitoral que, entre
as penalidades estabelecidas, já determinou sua inelegibilidade. A
primeira condenação foi em fevereiro deste ano, sob a acusação de
Marçal ter vendido apoio de candidatos em troca de dinheiro para a
campanha.
A segunda, em abril, diz respeito ao pagamento para eleitores que
divulgassem trechos de seus vídeos como candidato nas redes sociais,
potencializando sua visibilidade, em contrariedade à legislação eleitoral.
Fonte: Vermelho

