“Vocês agora estão sob os cuidados do governo federal”, diz Lula na Favela do Moinho

Presidente visita comunidade no Centro de São Paulo, marcada por
tentativas de despejo e pela violência policial, para oficializar
programa habitacional para as 900 famílias locais

por  Priscila Lobregatte

Publicado 26/06/2025 17:45 | Editado 26/06/2025 18:30

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Vítima de sucessivas e violentas tentativas de despejo e
criminalização, a comunidade da Favela do Moinho, na região central
de São Paulo, finalmente poderá ter um destino digno. Na tarde desta
quinta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o local e
formalizou a solução habitacional para as 900 famílias que ali
residem. “Vocês agora estão sob os cuidados do governo federal”,
enfatizou Lula.
A iniciativa garantirá aos moradores o acesso — por meio da
modalidade de Compra Assistida do Minha Casa, Minha Vida — a um

subsídio de até R$ 250 mil para a aquisição de imóveis prontos ou em
fase final de construção, de maneira que não será necessário
financiamento ou contrapartida financeira por parte dos
beneficiários. Essa mesma modalidade usada em 2024 para atender
famílias que perderam suas casas nas enchentes no Rio Grande do
Sul.
“Este é um dia muito importante para o povo brasileiro porque a
gente resolveu fazer reparação e justiça com vocês”, declarou o
presidente Lula, em referência à história de lutas daquela
comunidade.
A ocupação da área teve início nos anos 1980, após a desativação da
indústria Moinho Central, e a favela existe há mais de 35 anos. O local
sempre sofreu com a especulação imobiliária e com operações
policiais que buscavam remover os moradores à força, além de vários
incêndios nem sempre esclarecidos, o que faz da comunidade um
exemplo de resistência na luta por moradia.
Leia também: Pessoas em situação de rua terão reserva de moradias
no Minha Casa Minha Vida
A iniciativa agora oficializada se tornou possível após  acordo firmado
pelo governo federal  com o governo paulista, em maio, para
reassentar pacificamente as famílias. Como resultado, do valor a ser
concedido, R$ 180 mil vêm do governo federal e R$ 70 mil do
estadual. A União, proprietária do terreno, ainda fará,
posteriormente, a cessão ao estado, que pretende construir um
parque na área de 23 mil metros quadrados.
Outro ponto estabelecido é que as famílias receberão um auxílio
aluguel de R$ 1,2 mil mensais durante o período de transição para a
nova moradia, no caso de escolherem imóveis em construção ou em
obra, com prazo de entrega de até 24 meses.
Para viabilizar esse processo, foram assinadas duas portarias: a que
regulamenta quem terá direito às moradias e a que dá início ao
processo que, futuramente, possibilitará a cessão do terreno federal
ao estado.
Pobre não é bandido

Alvo de inúmeras operações violentas — sendo uma das mais
recentes realizadas pela PM em plena Páscoa — a comunidade foi
historicamente criminalizada e estigmatizada.
“Na cabeça de muita gente da elite brasileira, pobre e gente que mora
em favela é bandido. Eles não tratam vocês como homens e
mulheres, trabalhadores e trabalhadoras que, como todo mundo,
têm o desejo de ser felizes e querem ter o direito de construir família,
de morar bem, de trabalhar e poder viver de cabeça erguida”, afirmou
o presidente.
Lula também salientou o motivo pelo qual o terreno não está sendo
concedido desde já a São Paulo: “Essa portaria ainda não faz a cessão
do terreno para o governo do estado, porque a minha preocupação é
que se a gente fizer e eles tiverem de ocupar o terreno amanhã, eles
vão utilizar novamente a polícia e vão tentar enxotar vocês, sem vocês
conseguirem o que querem”.
Ele completou explicando que a portaria assinada, na verdade,
viabiliza o trabalho dos órgãos envolvidos “para cuidar de trabalhar
todo o acordo possível e, quando estiver pronto o acordo, a gente faz
a cessão definitiva ao estado. Mas isso apenas depois de provar que
vocês foram tratados com decência, com respeito à dignidade de
cada um de vocês”.
Conforme reivindicado por moradores e sugerido pelo presidente, a
ideia é que o parque a ser construído mantenha as torres da antiga
fábrica, como símbolo da luta da comunidade pelo direito à moradia.
Na véspera da visita de Lula à comunidade, o governador bolsonarista
Tarcísio de Freitas (Republicanos) publicou um vídeo nas redes sociais
tentando puxar para si o mérito pelo acordo firmado, dizendo que
estaria “libertando” os moradores. Convidado por Lula a estar na
cerimônia, no entanto, Tarcísio preferiu viabilizar sua própria agenda.
Fonte: Vermelho

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