Mulheres irão às ruas no 8M por direitos, democracia e justiça
Atos em todo o Brasil marcam o Dia Internacional das Mulheres, com
pautas contra a violência, desigualdade salarial e retrocessos políticos;
confira agenda, por Barbara Luz.
Mulheres de todas as regiões do Brasil se mobilizam nesta sexta-feira (8)
para ocupar as ruas em defesa de seus direitos, em uma grande
manifestação que marca o Dia Internacional das Mulheres. Com o
lema Pela vida de todas as mulheres, ‘ainda estamos aqui’; pela redução
da jornada de trabalho, sem redução de salários; e pela democracia –
sem anistia para os golpistas, os atos do 8 de Março reforçam a
necessidade de continuar a luta contra a violência de gênero e por
condições dignas de trabalho.
O movimento, convocado por diversos coletivos feministas, inclui pautas
fundamentais como a luta pela igualdade salarial, o combate à violência
e ao assédio no mundo do trabalho, a implantação da Convenção 190 da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), a política de cuidados com
base na Convenção 156 da OIT, e os direitos reprodutivos das mulheres,
incluindo a descriminalização do aborto. Além disso, a importância da 5º
Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres também será um dos
temas da mobilização.
A resistência das mulheres: uma luta histórica
A luta das mulheres por direitos é histórica e tem raízes profundas. Como
relembra o Manifesto da União Brasileira de Mulheres (UBM) , a
feminista e sufragista alemã Clara Zetkin defendeu em 1910 a criação de
uma data para marcar a luta contra a opressão e a exploração capitalista.
Inspiradas nessa trajetória, milhares de mulheres brasileiras seguem nas
ruas para fortalecer a democracia e resistir aos ataques da extrema-
direita.
“Nosso slogan ‘por um mundo de igualdade, contra toda opressão’
permanece atual entre nós, como forma de ampliar nossa luta contra a
exploração capitalista, a dominação patriarcal, racista e fascista”, declara
o manifesto da UBM.
A organização também enfatiza a urgência de combater os retrocessos
políticos e sociais. “No Brasil, não abrimos mão da prisão do inimigo das
mulheres, o golpista genocida e seus aliados. É necessário repetirmos
com firmeza: sem anistia para golpistas, Bolsonaro na cadeia!”, reforça o
documento.
A desigualdade e os desafios diários
Apesar de avanços legislativos, as mulheres seguem enfrentando
desafios diários. A desigualdade salarial, por exemplo, ainda é uma
realidade: as mulheres recebem, em média, 30% a menos do que os
homens para exercer as mesmas funções. A sobrecarga de trabalho
doméstico e a precarização das condições de vida também pesam,
atingindo principalmente mulheres negras, indígenas, periféricas e
pobres.
Além disso, a violência contra a mulher continua alarmante. O Brasil
registra altos índices de feminicídio, e os atos do 8M reforçam a
necessidade de medidas mais eficazes para garantir a segurança das
mulheres. “Seguimos desafios diários, e não podemos permitir que casos
de feminicídio e outras formas de violência contra mulheres se tornem
banais. Devemos continuar firmes, denunciando e combatendo os
retrocessos”, alerta o documento.
Confira abaixo os atos 8M todo o Brasil:
Região Sudeste
São Paulo (SP) – 14h no Vão Livre do MASP, Avenida Paulista
Campinas (SP) – 09h no Largo do Rosário
São Caetano do Sul (SP) – 9h na praça da Matriz
Baixada Santista (SP) – 16h na Praça 19 de Janeiro (Praia
Grande)
Guarulhos (SP) – dia 23/03 – 9h no Calçadão Dom Pedro
Sorocaba (SP) – 9h Praça Frei Baraúna (Fórum velho)
São José dos Campos (SP) – 9h, na Praça do Sapo (Praça João
Mendes)
Belo Horizonte (MG) – 8h na Praça Afonso Arinos
Rio de Janeiro (RJ) – 10/03 – 16h na Candelária
Região Sul
Curitiba (PR) – 10h em frente à estátua de Enedina Alves (Boca
Maldita)
Porto Alegre (RS) – 9h na Glênio Perez
Novo Hamburgo (RS) – 14 na Praça dos Imigrantes
Passo Fundo (RS) – 16 na Praça da Cuia
Lajeado (RS) – 16h na Praça do Dick
Florianópolis (SC) – das 10h no Largo da Alfândega
Blumenau (SC) – 16h no Parque Ramiro
Criciúma (SC) – 8h30, carreata partindo de Forquilhinha
Chapecó (SC) – 9h na Praça Coronel Bertaso
Jaraguá do sul (SC) – 8h no Terminal Urbano, Praça Meia Lua,
Praça Ângelo Piazera e outras áreas centrais
Joinville (SC) – 4h na Praça da Estação/Praça Monte Castelo
Região Centro-Oeste
Brasília (DF) – 13h na Torre de TV
Goiânia (GO) – 9h na Praça do Botafogo
Campo Grande (MS) – 15h na Esplanada Ferroviária
Região Nordeste
Mossoró (RN) – 7h no Centro Feminista 8 de Março
Recife (PE) – 15h no Parque 13 de Maio
Cabo de Santo Agostinho (PE) – 15h na Praça do Jacaré
Fortaleza (CE) – 16h na Praça do Ferreira
Região Norte
Belém (PA) – 8h no Boulevard da Gastronomia, Esquina da Av.
Presidente Vargas
A lista poderá ser atualizada à medida que novos atos forem
confirmados.
Por um mundo mais justo e igualitário
Os atos deste 8 de março reafirmam a luta das mulheres por um mundo
mais justo e igualitário. “Ainda estamos aqui, na defesa da democracia,
de um Brasil que respeite a vida e garanta os direitos de todas as
mulheres, do campo e da cidade; negras e indígenas; lésbicas,
bissexuais e transexuais; imigrantes; mulheres com deficiência e mães
atípicas; trabalhadoras e mulheres em situação de rua”, destaca a UBM.
A luta feminista segue sendo antirracista, anticapitalista, anti-imperialista
e antipatriarcal. A reivindicação é clara: nenhum direito a menos e
avanços rumo à igualdade de gênero. Neste 8M, as mulheres ocupam as
ruas para garantir que sua voz continue ecoando, transformando o
presente e construindo um futuro melhor para todas.
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com agências

