Manifestações pelo Brasil exigem taxação de super-ricos e o fim da jornada 6×1
“Taxação BBB” e críticas a Trump, Tarcísio e à aliança de bilionários e
banqueiros dominam atos em diversas capitais; mobilização ganha
força com tarifaço anunciado por Trump contra produtos brasileiros
por Cezar Xavier
Publicado 10/07/2025 20:58 | Editado 10/07/2025 21:15
São Paulo (SP), 10/07/2025 – Protesto à atuação do Congresso Nacional na
justiça tributária com a taxação dos super ricos, fim da escala 6×1 e a
isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, realizado em
frente ao MASP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Em um dos maiores dias de mobilização social do ano, milhares de
pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades brasileiras nesta
quinta-feira (10) para exigir a taxação de super-ricos, o fim da escala
de trabalho 6×1 e justiça tributária. Batizada informalmente de
“Taxação BBB” — sigla para Bets, Bancos e Bilionários —, a jornada de
lutas ganhou novo impulso com o anúncio de Donald Trump, na
véspera, de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como
chantagem pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os atos foram convocados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem
Medo, com apoio de centrais sindicais como CTB, CUT, Intersindical e
UGT, e movimentos sociais ligados à classe trabalhadora.
Parlamentares do PCdoB, PSOL e PT participaram das mobilizações,
que ocorreram simultaneamente em capitais como São Paulo,
Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro,
Florianópolis, Curitiba, São Luís, Vitória e outras cidades.
Avenida Paulista: epicentro do protesto e críticas a Trump e
Tarcísio
Na capital paulista, a avenida Paulista voltou a ser tomada por
manifestantes com faixas, cartazes e palavras de ordem direcionadas
a bilionários, banqueiros e ao ex-presidente americano Donald
Trump, cujas ameaças de retaliação comercial impulsionaram a
revolta. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), também foi alvo frequente dos gritos de protesto:
“Tarcísio vira-lata” e “Paulista não é colônia” ecoaram sob o vão do
Masp.
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) sintetizou o sentimento:
“Enfrentar o frio de São Paulo para lutar contra a injustiça tributária e
a ameaça imperialista de Trump aquece o coração de quem acredita
no Brasil soberano.”
O ato, que começou às 18h, reuniu milhares de pessoas entre as ruas
Pamplona e Plínio Figueiredo. Entre os presentes estavam os
deputados Rui Falcão (PT-SP) e Guilherme Boulos (PSOL-SP), que
discursaram em defesa da taxação progressiva e do fim da jornada
6×1, considerada pelos manifestantes uma herança escravista.
São Paulo (SP), 10/07/2025 – Protesto à atuação do Congresso Nacional na justiça tributária com a taxação dos super ricos, fim da escala 6×1 e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, realizado em frente ao MASP. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Pauta se espalha pelo país: justiça tributária e trabalho digno
Em Brasília, o ato começou ainda pela manhã na Rodoviária do Plano
Piloto. Em Belo Horizonte, a tradicional Praça 7 foi ocupada por
sindicalistas e jovens. No Rio, a manifestação se concentrou em frente
à Bolsa de Valores, denunciando a financeirização da economia e a
evasão fiscal dos super-ricos.
Em todas as cidades, duas perguntas guiaram o plebiscito popular
promovido pelos organizadores:
1. Você é a favor da redução da jornada de trabalho sem redução de
salário e do fim da escala 6×1?
2. Você é a favor de que quem ganha mais de R$ 50 mil por mês
pague mais imposto de renda para que quem recebe até R$ 5 mil
fique isento?
Mesas de votação foram montadas nos locais dos atos, onde os
manifestantes puderam votar e debater as propostas com militantes
dos sindicatos e das frentes populares.
Rio de Janeiro (RJ), 10/07/2025 – Trabalhadores e movimentos sociais fazem manifestação pelo fim da escala de trabalho 6 x 1 e pela taxação dos super-ricos, na Praça XV. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
“BBB”: bancos, bilionários e casas de apostas no alvo
A mobilização popular apontou a necessidade de reverter a atual
estrutura regressiva da carga tributária brasileira, que pesa sobre os
mais pobres enquanto protege os mais ricos. O mote “Taxação BBB”
expôs três alvos prioritários: bancos, bilionários e o setor das bets —
casas de apostas esportivas que movimentam bilhões no país com
baixa tributação e escassa regulação.
“A classe trabalhadora não aguenta mais sustentar sozinha o
orçamento do Estado. O Brasil é um dos países que menos tributa os
lucros e dividendos. Está na hora de inverter essa lógica”, afirmou um
representante da CUT durante a manifestação em Salvador, onde a
Estação da Lapa reuniu cerca de 5 mil pessoas.
Brasília (DF), 10/07/2025 – Protesto à atuação do Congresso Nacional na justiça tributária com a taxação dos super ricos, fim da escala 6×1 e a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, realizado na Rodoviária de Brasília. Foto: Valter Campanato/Agência
Brasil
Reação a Trump revela mudança no tom do movimento social
Embora a pauta central dos atos fosse a justiça tributária, o anúncio
do tarifaço de Trump colocou o ex-presidente norte-americano no
centro das críticas. Em São Paulo, manifestantes se fantasiaram de
Trump e Bolsonaro em performance simbólica que denunciava a
subserviência do bolsonarismo aos interesses estrangeiros.
“Trump é o rosto da guerra econômica contra o Brasil. A elite
brasileira quer um governo que se curve a isso, mas o povo está
dizendo: chega!”, disse Guilherme Boulos ao público na Paulista.
A retaliação anunciada por Trump foi entendida por muitos como
uma tentativa de intimidar o governo Lula por defender a
desdolarização no BRICS e fortalecer o Novo Banco de
Desenvolvimento (NDB), presidido por Dilma Rousseff.
Rio de Janeiro (RJ), 10/07/2025 – Trabalhadores e movimentos sociais fazem manifestação pelo fim da escala de trabalho 6 x 1 e pela taxação dos super-ricos, na Praça XV. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mobilização continua: Guarulhos e novas cidades no sábado
A jornada de mobilizações terá continuidade no sábado, 12 de julho,
em cidades como Guarulhos (SP), onde haverá protesto às 11h na
Praça Getúlio Vargas. Os organizadores pretendem manter a pressão
por uma reforma tributária progressiva e pela revogação de medidas
trabalhistas que aumentam a precarização.
Fonte: Vermelho

