China reafirma apoio ao Brasil e condena tarifas que entraram em vigor

Wang Yi ligou para Celso Amorim, defendeu a soberania brasileira e
propôs ampliar parceria estratégica em reação às sanções

econômicas impostas por Trump

por  Lucas Toth

Publicado 06/08/2025 10:44 | Editado 06/08/2025 11:03

O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o chanceler da China,
Wang Yi, durante encontro em Pequim. Foto: Reprodução
No dia em que entram em vigor as tarifas norte-americanas de 50%
contra produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos, a China
manifesta seu apoio ao Brasil;
Em conversa telefônica com o assessor especial da Presidência, Celso
Amorim, o chanceler chinês Wang Yi condenou o uso de medidas

coercitivas como forma de pressão política e afirmou que Pequim se
opõe à “interferência externa injustificada” nos assuntos internos
brasileiros.
Segundo ele, o governo chinês apoia firmemente a defesa da
soberania, dos interesses e do direito ao desenvolvimento do Brasil.
Wang classificou o tarifaço norte-americano como um
comportamento de intimidação e reiterou que a China se manterá ao
lado do Brasil na proteção de seus direitos.
A ligação entre os dois representantes ocorre no mesmo dia em que
as sobretaxas de Trump entram oficialmente em vigor, afetando
produtos estratégicos da pauta exportadora brasileira.
Para o chanceler chinês, “a dignidade nacional deve ser preservada” e
medidas discriminatórias como as impostas pelos EUA “minam a
ordem internacional e violam os princípios da Carta das Nações
Unidas”.
Além de reiterar o apoio à autonomia brasileira diante das tarifas
norte-americanas, Wang Yi defendeu o aprofundamento da parceria
estratégica entre China e Brasil. Segundo ele, os dois países devem
intensificar a coordenação bilateral nas áreas de comércio, finanças e
política externa, consolidando uma relação de “apoio mútuo” entre as
maiores economias em desenvolvimento de seus respectivos
continentes.
O chanceler afirmou que os governos do presidente Lula e do
presidente Xi Jinping constroem juntos uma “comunidade com futuro
compartilhado”, pautada na multipolaridade, na defesa da justiça
internacional e no respeito à soberania dos povos.
Celso Amorim, por sua vez, destacou o compromisso do governo
brasileiro com o fortalecimento dos Brics e com a articulação dos
países do Sul Global como eixo estratégico de um mundo mais
equilibrado.
O assessor do presidente Lula também reafirmou a disposição do
Brasil em ampliar os laços de cooperação com a China diante dos

desafios impostos por medidas unilaterais, como as tarifas
discriminatórias aplicadas pelos Estados Unidos.
Para Amorim, o aprofundamento da aliança sino-brasileira é essencial
para defender a soberania nacional e promover o desenvolvimento
com justiça social.
Ofensiva tarifária dos EUA e solidariedade da China
As novas tarifas contra o Brasil foram anunciadas por Donald Trump
em julho, dentro de um pacote de sanções unilaterais que também
atingiu países como Índia, México, Vietnã e Alemanha. No entanto, o
Brasil foi o mais penalizado, com taxas de até 50% sobre produtos
estratégicos como aço, café, celulose e suco de laranja.
A justificativa apresentada por Trump teve forte teor político: ele
condicionou o fim das tarifas à suspensão do julgamento do ex-
presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal,
classificando o processo como uma “caça às bruxas” que deveria
parar “imediatamente”.
Desde o anúncio do tarifaço, a China foi um dos primeiros países a se
posicionar em defesa do Brasil. No final de julho, a porta-voz do
ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, já havia
declarado que “as tarifas não devem ser utilizadas como instrumento
de coerção, intimidação ou interferência”.
A fala foi acompanhada por uma nota do próprio chanceler Wang Yi,
alertando que tais medidas minam a ordem internacional baseada
em regras e violam os princípios da Carta da ONU.
A postura de Pequim também reflete sua própria disputa tarifária
com Washington. Desde abril, os dois países travam uma guerra
comercial que já envolveu sucessivas rodadas de retaliação.
Enquanto governos europeus buscaram acordos parciais com os EUA,
a China adotou uma resposta firme, elevando tarifas sobre produtos
norte-americanos e denunciando o protecionismo como ameaça à
estabilidade global.

Neste contexto, a aliança com o Brasil ganha novo peso, projetando
os dois países como defensores da multipolaridade e da resistência
do Sul Global às imposições unilaterais das potências ocidentais.

Fonte: Vermelho

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