Lula defende ação conjunta do Brics sobre tarifas dos EUA

Presidente reafirmou que ligará para Narendra Modi e Xi Jinping para
debater o tema. Ele afirma que a prioridade é encontrar novos

mercados para os produtos sobretaxados

por  Murilo da Silva

Publicado 07/08/2025 12:42 | Editado 07/08/2025 13:04

23.08.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente
da República Popular da China, Xi Jinping, Presidente da África do Sul,
Matamela Cyril Ramaphosa, Primeiro-Ministro da Índia, Narendra
Damodardas e Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.
Foto Oficial dos Líderes do BRICS. Sandton Convention Centre, Joanesburgo
– África do Sul. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Com prioridade total na busca de novos mercados para os produtos
de exportação brasileiros que receberam a tarifa adicional do
governo dos Estados Unidos, o presidente Lula reafirmou em
entrevista à Reuters, na quarta-feira (6), o compromisso do governo
em auxiliar os empresários e em proteger os empregos das cadeias

produtivas afetadas. De acordo com o presidente, ele buscará junto a
outros líderes do Brics uma resposta conjunta.
“Vou tentar fazer uma discussão com eles sobre como cada um está
dentro da situação, qual é a implicação que tem em cada país, para a
gente poder tomar uma decisão”, afirma.
Na conversa, ele  reafirmou a intenção de conversar com líderes  como
Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, e Xi Jinping, presidente da
China, a fim de emitir um posicionamento colegiado do grupo.
Na quarta, a Casa Branca anunciou a elevação das tarifas comerciais
para os produtos indianos. O governo de Donald Trump adicionou
uma tarifa extra de 25% e elevou a sobretaxa a 50% contra a Índia,
assim como aconteceu com  mais da metade dos produtos
brasileiros  destinados aos EUA. Trump justifica a atitude contra o
governo Modi com a acusação de que o país compra petróleo russo,
que é alvo de embargo pelos países da União Europeia, os países do
G7, incluindo os EUA, e a Austrália.
Leia mais:  China reafirma apoio ao Brasil e condena tarifas que
entram em vigor hoje
No final de julho, EUA e China chegaram a um acordo para suspender
por 90 dias a taxação recíproca. Com a imposição de tarifas por
Trump, a taxa sobre produtos chineses chegaria a 145%, mas, com a
suspensão, ficou em 30%. Os chineses responderam com uma
sobretaxa de 125% aos produtos norte-americanos. Isso levou à
retomada das negociações, e a tarifa foi reduzida para 10%, enquanto
um acordo definitivo é negociado.
Proteção
A tarifa de 50% contra produtos brasileiros, entre eles o café e a carne
bovina, entrou em vigor na quarta (6). O governo brasileiro mantém a
tentativa de diálogo para negociar o “tarifaço”.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem uma reunião virtual
agendada com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott
Bessent, na próxima quarta-feira (13), para debater alternativas.

Haddad enviará ao presidente Lula um texto, que pode ser em
formato de medida provisória (MP), com medidas para mitigar os
efeitos das tarifas norte-americanas. O conjunto de ações prevê,
segundo o ministro, concessão de crédito e aumento das compras
governamentais para os setores mais impactados.
Na entrevista à Reuters, o presidente destacou o compromisso com
empresas e trabalhadores brasileiros.
“Estamos preparando como é que nós vamos lidar com as empresas
brasileiras que vão ter prejuízos. Temos que criar condições de ajudar
essas empresas. Temos a obrigação de cuidar da manutenção dos
empregos das pessoas dessas empresas. Eu posso dizer para os
empresários brasileiros é que estamos juntos, fazendo o que tiver na
possibilidade do governo para garantir a continuidade da
comercialização com os Estados Unidos, garantir que não terão
prejuízos e garantir que os trabalhadores não ficarão abandonados”,
disse Lula.
Soberania
De acordo com o líder brasileiro, Trump não demonstrou, de fato,
que está disposto a negociar. Ele ainda afirmou que não irá retaliar a
decisão e insistirá no diálogo.
“Eu estou fazendo tudo isso [negociando] quando poderia anunciar
uma taxação dos produtos americanos. Não vou fazer porque não
quero ter o mesmo comportamento do presidente Trump. Eu quero
mostrar que quando um não quer, dois não brigam, e eu não quero
brigar com os Estados Unidos”, salienta.
Na sua avaliação, as justificativas para o “tarifaço” são uma
intromissão enorme: “Ele que cuide dos Estados Unidos, do Brasil,
cuidamos nós. Só tem um dono esse país, e só um dono que manda
no presidente da República, é o povo, o povo que elegeu, o povo que
pode tirar”.
Sobre o trecho em que o governo de Washington envolve a
regulamentação de Big Techs, Lula lembra: “Esse país é soberano, tem
uma Constituição, tem uma legislação. É nossa obrigação regular o
que a gente quiser regular de acordo com os interesses e a cultura do

povo brasileiro. Se não quiser regulação, saia do Brasil”, completa
Lula.

Fonte: Vermelho

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