Acusações dos EUA contra o Pix são infundadas, diz Galípolo
Segundo o presidente do BC, Pix aumentou a bancarização e não
prejudicou as operadoras de cartão, que tiveram crescimento
por Murilo da Silva
Publicado 07/08/2025 18:35 | Editado 07/08/2025 18:53
Gabriel Galípolo. Foto: Diogo Zacarias
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu o Pix
contra os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Durante o evento “Blockchain.RIO”, na quarta-feira (6), no Rio de
Janeiro, Galípolo rebateu o argumento norte-americano de que o Pix
tem tirado mercado de bancos e operadoras de cartão de crédito.
Os dados apresentados mostram que os serviços de cartão de crédito
cresceram 20,9% no período entre 2020 e 2024, após a criação do Pix.
Para efeito comparativo, entre 2009 e 2019 o crescimento foi de
13,1%.
O sistema de pagamento instantâneo brasileiro passou a ser alvo de
contestação pelo Ustr (escritório do representante de comércio dos
EUA) em meio a guerra tarifária iniciada por Trump.
O ataque da Casa Branca se mostrou tão infundado que gerou reação
de diversos analistas, incluindo o vencedor do Prêmio Nobel de
Economia, Paul Krugman, que indicou o Pix como o “futuro do
dinheiro” .
Para o presidente do BC, os números revelam que as operações com
cartões não rivalizam com o Pix, tanto que cresceram após a
implantação do sistema.
Galípolo, que classifica a modalidade de pagamento, queridinha dos
brasileiros, como uma revolução do sistema financeiro, ainda destaca
que o Pix é responsável pela bancarização de uma parcela da
sociedade que estava alheia ao sistema financeiro, o que permitiu a
ampliação de outros serviços pelos bancos.
Ele também defendeu que a modalidade de pagamento permaneça
sob controle do BC, uma vez que a instituição é guardiã de dados
críticos dos clientes. No caso de uma gestão privada do Pix, poderiam
ocorrer conflitos de interesse, inclusive negando acesso de pessoas
ao sistema — o que é totalmente adverso à ideia da ferramenta.
Mas a defesa de um Brasil com instituições dignas e soberanas por
parte de Galípolo terminou por aí.
Na mesma apresentação ele se mostrou favorável a PEC 65/2023 ,
que estabelece a autonomia orçamentária e financeira do BC. A
medida, justificada de forma técnica por seus apoiadores com a
finalidade de maior autonomia para realizar outros avanços, na
verdade, esconde a criação de um poder paralelo do mercado
financeiro.
Em entrevista do ano passado ao Portal Vermelho, o economista
Diogo Santos alertou para os perigos da PEC que transforma o BC em
empresa pública, como quer Galípolo:
“A PEC 65/2023 cria uma apropriação pelo BC de recursos que são do
Estado brasileiro. Além disso, amplia o risco de pressão externa de
agentes econômicos sobre a condução de suas funções. Também
blinda o BC das restrições fiscais impostas ao Executivo com o apoio
das últimas gestões do próprio banco. Essa proposta também abre
brechas para mudanças futuras, como a terceirização da
administração das reservas internacionais e da conta única do
Tesouro”, explica Diogo.
Fonte: Vermelho

