Brasil e China selam aliança estratégica para corredor ferroviário bioceânico

Acordo assinado em Brasília prevê estudos conjuntos para integrar a
malha ferroviária brasileira ao porto de Chancay, no Peru,
fortalecendo a cooperação Sul-Sul e a infraestrutura continental
por  Cezar Xavier

Publicado 07/07/2025 17:03 | Editado 07/07/2025 17:22

Memorando assinado nesta segunda (7) marca avanço na integração
logística sul-americana e amplia cooperação internacional no setor.
Corredor ligará Brasil e Peru Foto: Agência Gov | Via Ministério dos
Transportes
Em mais um gesto concreto de aproximação entre os dois gigantes do
Sul Global, Brasil e China assinaram nesta segunda-feira (7), em
Brasília, um memorando de entendimento para a realização de
estudos conjuntos sobre o corredor ferroviário bioceânico, que
conectará os oceanos Atlântico e Pacífico. O projeto, de grande valor
geopolítico e logístico, visa integrar ferrovias brasileiras já em

operação ou construção ao recém-inaugurado porto de Chancay, no
Peru, com infraestrutura financiada por Pequim.
O acordo foi firmado entre a estatal brasileira Infra S.A. e o Instituto
de Planejamento e Pesquisa Econômica da China State Railway Group,
braço técnico da maior empresa ferroviária pública do mundo. A
cerimônia simbolizou um passo decisivo no avanço de uma parceria
que une o Novo PAC brasileiro à Iniciativa Cinturão e Rota chinesa,
sob o olhar atento dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi
Jinping.
Corredor Bioceânico: de Ilhéus ao Pacífico com escala na
integração continental
O corredor ferroviário começará em Ilhéus, na Bahia, pela Fiol
(Ferrovia de Integração Oeste-Leste), seguirá por Mara Rosa, em
Goiás, ponto de encontro com a Fico (Ferrovia de Integração Centro-
Oeste) e a Ferrovia Norte-Sul, até chegar a Lucas do Rio Verde, no
Mato Grosso, ponto de partida da chamada Ferrovia Bioceânica.
Daí em diante, o traçado avançará rumo à fronteira com a Bolívia,
atravessará Rondônia e o Acre, e cruzará até o porto de Chancay, a
cerca de 70 km de Lima. O traçado não é apenas um desenho sobre
trilhos: ele representa a integração produtiva e comercial da América
do Sul com a Ásia, abrindo novas rotas logísticas para as exportações
brasileiras de grãos, minérios e produtos industrializados.
Cooperação técnica de longo prazo: um pacto de
desenvolvimento
O secretário especial da Casa Civil, Maurício Muniz, celebrou o
memorando como “o início de uma jornada técnica, institucional e
diplomática que visa reduzir distâncias e fortalecer laços”. O
presidente da Infra S.A., Leonardo Ribeiro, ressaltou que o projeto
reflete uma visão conjunta de longo prazo entre os dois países, “com
a expertise ferroviária chinesa se aliando ao potencial brasileiro de
escoamento de cargas”.
A diretora de Administração e Finanças da Infra S.A., Elisabeth Braga,
destacou que a estatal já iniciou os trabalhos para viabilizar o eixo
estruturante Fiol–Fico, cujo leilão está previsto para 2026, e que os

estudos sobre o trecho internacional contarão com simulações
técnicas, análises ambientais e modelagens de investimento.
Brics, PAC e Cinturão e Rota: uma convergência estratégica
A assinatura do acordo ocorre na esteira da XVII Cúpula do Brics,
realizada no Rio de Janeiro, onde o grupo reafirmou, em declaração
conjunta, o compromisso com a construção de infraestrutura
sustentável e resiliente como eixo do desenvolvimento. A agenda
também se encaixa nas diretrizes do Novo PAC, do Plano de
Transformação Ecológica e da Nova Indústria Brasil, pilares do
governo Lula.
Pelo lado chinês, a cooperação se insere na estratégia da Iniciativa
Cinturão e Rota, que busca ampliar os corredores de transporte e
comércio no mundo em desenvolvimento. Para o diretor-geral da
China Railway Group, Wang Jie, a parceria simboliza “a sabedoria e a
confiança mútua entre nossos povos”.
Desafios logísticos e esperança geoeconômica
A integração ferroviária com o Pacífico poderá reduzir drasticamente
os custos logísticos de exportação e acelerar o acesso a novos
mercados. Hoje, a produção brasileira do Centro-Oeste enfrenta altos
custos com transporte rodoviário até os portos do Sudeste. A nova
rota — multimodal e transnacional — abre caminho para uma malha
mais eficiente, menos poluente e mais estratégica.
O desafio agora é garantir que os estudos, a ser conduzidos por
técnicos brasileiros e chineses, avancem rapidamente e não fiquem
na gaveta como projetos anteriores. A aposta é que, com
financiamento estruturado e articulação entre os ministérios do
Planejamento, Casa Civil e Transportes, a integração continental
torne-se realidade — unindo Ilhéus a Chancay, o Atlântico ao Pacífico,
e o Brasil à nova geografia do desenvolvimento global.
“Celebramos não apenas trilhos, mas um futuro conectado”, declarou
Maurício Muniz. Se concretizado, o corredor bioceânico pode ser o
maior projeto logístico da América do Sul no século XXI — e uma
chave para reposicionar o Brasil no centro da integração regional e
global.

Fonte: vermelho

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