Em 15 anos, Bolsa Família evitou mais de 700 mil mortes
Programa também reduziu em 8 milhões as internações hospitalares,
tendo especial impacto entre crianças e idosos. Conclusões são de
estudo publicado na The Lancet Public Health
por Priscila Lobregatte
Publicado 31/05/2025 13:07 | Editado 01/06/2025 13:46
Foto: reprodução/MDS
Entre os anos de 2004 e 2019, mais de 700 mil mortes e oito milhões de
internações hospitalares foram evitadas pelo programa Bolsa Família.
Tais efeitos impactam, sobretudo, as crianças menores de cinco anos e
idosos com mais de 70 anos.
Os dados fazem parte de estudo conduzido por Rômulo Paes, do Centro
de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz), Daniella Cavalcanti,
da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Davide Rasella, da
Universidade de Barcelona e publicado nesta quinta-feira (29) pela
prestigiada revista The Lancet Public Health.
A análise considerou informações de 3.671 municípios, definidos pela
qualidade adequada de registro civil e das estatísticas, representando
mais de 87% da população brasileira.
“O estudo indica a excepcional consistência e resiliência do Programa
Bolsa Família, indicando que ele possui um desenho que foi sendo
aperfeiçoado ao longo do tempo e que sobreviveu aos momentos críticos
para a gestão pública no país”, apontou Rômulo Paes.
Na avaliação de Daniella Cavalcanti, o programa representou um divisor
de águas na proteção social brasileira, especialmente para as
populações mais vulneráveis. “Nosso estudo analisou os impactos de
duas décadas de implementação do programa, com foco em indicadores
de saúde, como hospitalizações e mortalidade. Os resultados são
contundentes: o Bolsa Família não apenas aliviou a pobreza no curto
prazo, mas também contribuiu para interromper o ciclo intergeracional da
pobreza, promovendo melhorias reais e sustentáveis nas condições de
vida”.
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De acordo com a pesquisa, os efeitos sobre a saúde são mais robustos
quando há alta cobertura (percentual de famílias elegíveis atendidas) e
alta adequação (valor médio transferido por família) do programa.
Nessas condições, a mortalidade infantil caiu 33% e as internações de
idosos acima de 70 anos foram reduzidas pela metade. Além disso, as
populações historicamente excluídas — como crianças em extrema
pobreza, famílias em áreas rurais remotas, e comunidades negras e
indígenas — foram justamente as mais beneficiadas.
Avaliações anteriores também demonstraram que o PBF alcançou
impactos positivos, conseguindo reduzir os riscos de doenças infantis e
maternas, bem como a mortalidade por causas específicas, como
HIV/Aids e tuberculose, especialmente em populações mais vulneráveis.
No entanto, nenhum outro estudo avaliou de forma abrangente a
associação entre PBF e mortalidade e hospitalização, geral e
estratificada por idade, nas duas décadas de existência do programa.
Além das evidências que mostram os impactos internos do programa, o
resultado do estudo também demonstra a importância dessa experiência
para a viabilização da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A
iniciativa foi lançada pelo Brasil em 2024, durante sua presidência do
G20, e busca fortalecer a cooperação internacional para alcançar os
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2 de erradicação
da pobreza e da fome.
“O estudo demonstra de forma ainda mais ampla, o que a ciência tem
mostrado ao longo dessas duas décadas do Bolsa Família: ele é mais
que transferência de renda, é promoção da saúde, ferramenta de justiça
social e, referência internacional, tanto que integra a cesta de políticas da
Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, analisou o titular do
Ministério do Desenvolvimento Social e presidente do Conselho da
Aliança Global, Wellington Dias.
Bolsa Família e o combate à pobreza
O Bolsa Família foi criado por medida provisória no primeiro ano do
primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003 e
tornado lei em 2004. Atualmente, cerca de 54 milhões de pessoas são
atendidas pelo programa.
Estudo no Unicef divulgado no início deste ano mostrou outro dos muitos
impactos positivos trazidos pelo programa. Por meio da iniciativa, o Brasil
reduziu significativamente o número de crianças e adolescentes, de zero
a 17 anos, vivendo na pobreza. O número saiu de 34,3 milhões (62,5%)
de crianças e adolescentes nessa condição, em 2017, para 28,8 milhões
(55,9%), em 2023.
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histórica
O programa também influenciou na redução geral da pobreza,
juntamente com melhorias na geração de emprego e renda. De acordo
com dados do IBGE divulgados no começo do mês, a pobreza extrema e
a desigualdade de renda caíram em 2024 aos menores níveis desde
2012.
O rendimento de todas as fontes por pessoa de um mesmo domicílio
cresceu 4,7% em relação a 2023, para R$ 2.020 por mês, nível recorde
desde 2012. No grupo dos 5% da população que ganham menos, em
torno de 10,8 milhões de pessoas, a renda saltou 17,6%.
Com agências

