Estudantes ocupam ruas do país e pressionam por mais recursos para educação pública
Manifestações marcam o Dia Nacional de Lutas em defesa da
recomposição orçamentária das universidades e institutos federais, com
reivindicações que vão além da verba e questionam a política de
austeridade.
por Cezar Xavier
Publicado 30/05/2025 00:30 | Editado 30/05/2025 08:04
Presidentes da UNE, Uber e ANPG lideram manifestação em São Paulo no
#29M
Nesta quarta-feira, 29 de maio, estudantes tomaram as ruas das
principais capitais do país em defesa da educação pública. As
manifestações, organizadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE),
União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e Associação
Nacional de Pós-Graduandos (Anpg), reuniram milhares em São Paulo,
Rio de Janeiro, Goiânia, Salvador e outras cidades.
As pautas do ato incluem a recomposição total dos R$ 2,1 bilhões
cortados do orçamento das universidades e institutos federais, a
revogação do Decreto nº 12.448/2025 e o fim das amarras fiscais que
comprometem a expansão e a permanência estudantil.
Recuo do governo: vitória parcial dos estudantes
A intensa mobilização já produziu efeitos. Às vésperas do protesto, o
ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou a recomposição de R$
400 milhões no orçamento de 2025 e a liberação de mais R$ 300 milhões
que estavam bloqueados por decreto. A medida foi confirmada em
reunião com reitores no Palácio do Planalto.
A presidenta da UNE, Manuela Mirella, celebrou a conquista, mas
alertou: “Seguimos em luta. Essa é uma vitória da pressão social, mas
ainda faltam recursos para garantir o funcionamento pleno das
instituições, a assistência estudantil e a pesquisa”.
Manifestação em Goiânia
Manifestação no Rio de Janeiro
Atos tomam as ruas por educação e democracia
Na Avenida Paulista, em São Paulo, milhares de estudantes marcharam
com faixas exigindo “Educação não se negocia” e “Nenhum centavo a
menos”. No Rio, a manifestação percorreu o centro da cidade.
Em Goiânia, os estudantes se concentraram na Praça Cívica, e em
Salvador, a caminhada saiu do Campo Grande em direção ao
Pelourinho, com forte presença de estudantes de institutos federais e
movimentos sociais. Em todas as cidades, palavras de ordem contra o
arcabouço fiscal e críticas ao Decreto 12.448 ecoaram pelas ruas.
Mesmo no interior da Bahia, as entidades mobilizaram os estudantes
Decreto 12.448 e o fantasma do colapso universitário
O Decreto nº 12.448, publicado no fim de abril, previa o bloqueio de
gastos orçamentários a 1/18 do total anual até novembro — o que, na
prática, significava o colapso financeiro das universidades. Reitores e
entidades educacionais denunciaram a ameaça à continuidade de
bolsas, manutenção dos campi e funcionamento de restaurantes
universitários.
Projeto de novo fundo para o ensino superior é promessa
Dirigentes das três entidades estudantis em São Paulo
Em resposta à pressão, o ministro Camilo Santana anunciou a criação de
um grupo de trabalho para estruturar um novo modelo de financiamento
para o ensino superior, nos moldes do Fundeb, que financia a educação
básica.
Segundo Santana, o projeto deve assegurar sustentabilidade
orçamentária, planejamento de longo prazo e valorização da pesquisa e
da extensão universitária. “As universidades produzem mais de 90% da
pesquisa no Brasil. Não podemos sufocá-las.”
Austeridade e arcabouço fiscal sob fogo cruzado
Apesar do recuo parcial do governo, lideranças estudantis e sindicais
denunciam que o chamado “arcabouço fiscal” continua ameaçando os
investimentos em educação. Para a UNE, o Decreto 12.448 simboliza a
contradição de um governo que afirma defender a educação, mas adota
medidas de austeridade que asfixiam o setor.
Hugo Silva, da Ubes, representou os estudantes secundaristas
Juventude nas ruas: pressão popular como motor da mudança
As manifestações de 29 de maio reafirmam o papel da mobilização
estudantil na defesa da democracia e dos direitos sociais. A
recomposição parcial do orçamento mostra que, sem pressão popular,
não há avanço concreto. Mas os estudantes avisam: a luta continua.
“Educação não é mercadoria, é direito! Vamos seguir nas ruas até
garantir a recomposição total e um novo projeto de universidade pública”,
concluiu Manuela Mirella diante da multidão reunida no Largo da Batata,
em São Paulo.
Manifestação no Ceará
Protesto do #29M em Brasília
Fonte: vermelho

