Inflação desacelera e fica em 0,26% em maio

IPCA de maio mostra inflação mais fraca ao registrar três quedas
consecutivas e surpreende o mercado; o foco agora está no Copom, que

se reúne na próxima semana

por  Murilo da Silva

Publicado 10/06/2025 13:22 | Editado 10/06/2025 13:26

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta
terça-feira (10), que a inflação desacelerou para 0,26% em maio. Medida

pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa teve
recuo de 0,17 ponto percentual (p.p.) em  comparação a abril (0,43%) .
Dessa maneira, a inflação acumulada no ano é de 2,75%, sendo de
5,32% em 12 meses.
O resultado ainda indica o melhor mês desde janeiro deste ano, quando
o IPCA ficou em 0,16% (fevereiro ficou em 1,31%; março 0,56%; e abril
0,43%), o que significa três meses seguidos de queda da inflação.
A notícia surpreendeu o mercado. De acordo com avaliação feita
pelo Valor Data com instituições financeiras e consultorias, a expectativa
era que o IPCA ficasse em 0,34%. Portanto, a desaceleração foi maior
do que o esperado e coloca novamente o foco no Copom (Comitê de
Política Monetária), que se reúne na próxima semana, em 17 e 18 de
junho.
Com o IPCA em ritmo mais fraco, resta saber se os diretores do Banco
Central irão seguir com o modelo de política monetária antinacional ao
manterem a  elevação da taxa de juros sob o pretexto de controle
inflacionário,  com o índice convergindo para a meta com teto de 4,5%.
Impacto
Conforme o IBGE, os resultados de maio tiveram forte influência do
grupo Habitação (aumento de 1,19% e 0,18 p.p. de impacto), pois no
período houve aumento da energia elétrica residencial com mudança de
bandeira tarifária (-0,08% em abril para 3,62% em maio).
Por outro lado, ocorreu uma boa notícia em relação ao grupo de
Alimentação e Bebidas. Este grupo tem sido uma das maiores
preocupações do governo federal, apresentou desaceleração: 0,17% em
maio (0,04 p.p. de impacto) frente a 0,82% em abril. Dessa forma, o
Instituto indica que esta é “menor variação mensal [para maio] desde
agosto de 2024, quando havia recuado 0,44%”.
Os principais alimentos que tiveram redução nos preços foram:
 tomate (-13,52%);
 arroz (-4,00%);
 ovo de galinha (-3,98%);
 frutas (-1,67%).
Os que tiveram alta em maio são:
  batata-inglesa (10,34%);
  cebola (10,28%);

 café moído (4,59%);
 carnes (0,97%).
Já o grupo dos Transportes marcou deflação (queda de preços) de
0,37% – situação que contribuiu para a desaceleração em maio (-0,08
p.p. de impacto). Houve recuo nos preços das passagens aéreas (-
11,31%) e dos combustíveis (-0,72%), sendo que todos os combustíveis
pesquisados marcaram queda: óleo diesel (-1,30%), etanol (-0,91%), gás
veicular (-0,83%) e gasolina (-0,66%).
O gerente da pesquisa, Fernando Gonçalves, ressalta que Habitação,
Alimentação e bebidas, e Transportes representam, juntos, 57% do
IPCA.
“Observamos que a desaceleração dos alimentos, que saíram de 0,82%
em abril para 0,17% em maio e a queda dos Transportes de 0,37%,
acabam por compensar a alta de 1,19% do grupo Habitação, refletindo
no resultado final do índice geral”, diz.
Demais grupos
No que se refere ao grupo Educação, o IPCA captou a manutenção do
índice em 0,05% de abril para maio.
Ainda foi observada a desaceleração nos preços de Vestuário (1,02% em
abril para 0,41% em maio com impacto de 0,02 p.p.); Saúde e Cuidados
Pessoais (de 1,18% para 0,54% em maio e impacto de 0,07 p.p.);
Despesas Pessoais (de 0,54% para 0,35% em maio e impacto de 0,04
p.p.); e Comunicação (de 0,69% para 0,07% em maio e sem impacto no
índice final).
Por fim, se registrou deflação no grupo de Artigos de Residência (de
0,53% em abril para -0,27% em maio e impacto de -0,01 p.p.).
Fonte: Vermelho

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