Maioria quer Bolsonaro preso, mas teme impunidade; 56% rejeitam anistia

Datafolha mostra que brasileiros defendem punição pelos atos do 8 de
janeiro, mas não confiam que Justiça vá condenar ex-presidente, por  Cezar Xavier.

Publicado 08/04/2025 14:06 | Editado 08/04/2025 14:24

Curitiba PR 23 03 2024- sociedade civil faz manifestação em Curitiba, que faz
parte da mobilização nacional #DitaduraNuncaMais. O ato lembrou as vítimas
da Ditadura Militar, reforçou a contrariedade com uma eventual nova anistia
para golpistas. Fotos: Gibran Mendes / CUT Paraná
A maioria dos brasileiros acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro
(PL) deve ser preso por sua participação na tentativa de golpe de Estado
que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023. No entanto, segundo
pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (7), também prevalece o
sentimento de que ele dificilmente será punido. A mesma pesquisa revela
que a proposta de anistia aos golpistas, defendida por Bolsonaro, é
rejeitada por 56% da população.
A pesquisa Datafolha expõe uma sociedade dividida entre o desejo de
punição aos golpistas e o temor de que a impunidade prevaleça.
Enquanto a esquerda organiza protestos contra a anistia, a direita tenta
capitalizar apoio em bases evangélicas e setores economicamente
privilegiados. O resultado reflete não apenas opiniões sobre justiça, mas
uma disputa pelo futuro da democracia brasileira.
De acordo com o levantamento, 52% dos entrevistados acreditam que
Bolsonaro deveria ser preso, enquanto 42% são contrários à prisão. No
entanto, 52% também acham que ele não será condenado, o que
evidencia um cenário de descrença generalizada em relação à
responsabilização judicial do ex-presidente. Apenas 41% acreditam que
ele acabará preso, e 7% não souberam opinar.
A percepção varia conforme a região e o perfil social e religioso dos
entrevistados. No Sul do país, 49% rejeitam a prisão e 46% apoiam. No
Norte e Centro-Oeste, há empate técnico: 47% a favor da prisão, 45%
contra. Entre católicos, maioria no país, 55% apoiam a prisão de
Bolsonaro. Já entre evangélicos, 54% são contra a prisão, reflexo da
base de apoio que o ex-presidente ainda mantém nesse grupo.
População rejeita anistia: “Crime contra a democracia deve ser
punido”
A tentativa de articulação de uma anistia para os condenados pelos atos
golpistas também enfrenta forte resistência popular. 56% são contra o
projeto de anistia que tramita na Câmara dos Deputados. Apenas 37% se
dizem favoráveis ao perdão e 6% não souberam responder.
A rejeição cresceu desde o início da tramitação da proposta, indicando
que, mesmo com atos públicos e manifestações lideradas por Bolsonaro,
a população não se comove com a ideia de clemência. O movimento
contrário à anistia é transversal, com destaque para os eleitores de

partidos de esquerda: 90% dos simpatizantes do PSOL e 68% dos
petistas são contra o perdão.
A fragilidade judicial de Bolsonaro — inelegível até 2030 e réu no STF —
não impediu que ele liderasse atos recentes, como o da Avenida
Paulista, em busca de apoio para anistia. Contudo, o evento reuniu
menos pessoas que manifestações anteriores, sinalizando desgaste.
Tamanho das penas divide opiniões
Apesar da rejeição à anistia, a dosimetria das penas aplicadas aos
golpistas ainda é motivo de debate entre os brasileiros. Segundo o
Datafolha, 34% consideram as penas adequadas, 36% acreditam que
deveriam ser menores e 25% acham que deveriam ser aumentadas.
Outros 5% não souberam opinar.
O recorte por classe social mostra nuances: os mais pobres são os que
mais desejam penas maiores (30%), enquanto os mais ricos defendem
penas menores (até 47% na faixa entre 5 e 10 salários mínimos).
Tentativa de anistia enfrenta obstáculos jurídicos e sociais
Apesar das mobilizações lideradas por Bolsonaro — como o recente ato
na Avenida Paulista — a proposta de anistia não ganha tração fora de
seu núcleo mais fiel. Até aliados como o governador Tarcísio de Freitas
(Republicanos-SP), defensor da medida, veem resistência popular. Entre
seus eleitores, 61% são favoráveis à anistia.
A tentativa de usar o Congresso para livrar Bolsonaro de futuras
condenações, inclusive com a mudança na Lei da Ficha Limpa, também
não empolga a maioria: 47% são contra, 47% a favor, evidenciando
divisão da opinião pública.
O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, já condenou mais de 480 réus
entre os mais de 1.500 processados por envolvimento nos atos golpistas.
Pelo menos 155 seguem presos. No entanto, a lentidão do Judiciário e a
pressão política alimentam o ceticismo: 52% acham que Bolsonaro
escapará da cadeia, mesmo com provas robustas. A corte, até agora,
tem sinalizado firmeza em não tolerar qualquer tipo de impunidade —
incluindo eventual anistia aprovada no Legislativo.
A pesquisa Datafolha ouviu 3.054 pessoas entre os dias 1º e 3 de abril,
em 172 cidades do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais,
para mais ou para menos. Os dados mostram que a democracia ainda é
um valor a ser defendido ativamente por boa parte da população, mas o
temor da impunidade persiste — especialmente quando se trata de
responsabilizar os mais poderosos.

Fonte: Vermelho

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