No Vietnã, Lula critica pedidos de anistia de golpistas

Lula afirmou que a anistia não é uma questão urgente. “Tenho certeza
que a anistia não é um tema principal para ninguém, a não ser para

quem está se culpabilizando”, por  Cezar Xavier.

 

Presidente Lula, em viagem ao Vietnã — Foto: Ricardo Stuckert / PR

Durante visita ao Vietnã, neste sábado (29), o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva comentou sobre os pedidos de anistia feitos pelo ex-presidente
Jair Bolsonaro e parlamentares da oposição. Bolsonaro é réu, ao lado de
sete aliados, em processo no Supremo Tribunal Federal (STF) por
tentativa de golpe de Estado.
Neste domingo (30), movimentos sociais, como as Frentes Brasil Popular
e Povo Sem Medo, realizam atos em diversas capitais contra a anistia e

em defesa da prisão de Bolsonaro. As manifestações também lembrarão
os 61 anos do Golpe Militar de 1964.
Ao ser questionado sobre o tema, Lula afirmou que a anistia não é uma
questão urgente. “Tenho certeza que a anistia não é um tema principal
para ninguém, a não ser para quem está se culpabilizando”, declarou. O
presidente reforçou que evitou tratar do assunto com os presidentes da
Câmara, Hugo Mota (Republicanos-PB), e do Senado, Rodrigo Pacheco
(PSD-MG), durante a viagem, e que pretende abordá-lo apenas quando
retornar ao Brasil.
Lula criticou o movimento da oposição em favor da anistia e destacou
que Bolsonaro sequer busca se defender. “É impressionante que os
advogados do cidadão que está pedindo anistia não digam para ele que
primeiro precisam absolvê-lo. Se for absolvido, não precisa de anistia.
Mas já tratam como se ele fosse culpado. Ele não quer nem se defender
porque sabe, no subconsciente, que fez todas as bobagens das quais
está sendo acusado”, disse.
Comércio com o Vietnã
Ainda no Vietnã, Lula discursou no encerramento do Fórum Brasil-Vietnã
e afirmou que deseja transformar o Brasil na “porta de entrada” do país
asiático para o comércio na América Latina. O presidente pretende firmar
acordos entre o Vietnã e o Mercosul assim que assumir a presidência do
bloco.
“Os países do Sudeste Asiático correspondem a quase 6,5% do PIB
mundial, em paridade de poder de compra. A negociação de um acordo
Brasil-Vietnã, que o Brasil pretende lançar ao assumir a presidência do
Mercosul, também contribuirá para esse objetivo”, afirmou.
O presidente ressaltou que a parceria já trouxe resultados, como a
abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira e o Plano
de Ação para Implementação da Parceria Estratégica, que busca ampliar
o comércio bilateral para US$ 15 bilhões até 2030.
“A abertura do mercado vietnamita para a carne bovina brasileira
permitirá a instalação de plantas de processamento no país, reforçando o
papel do Vietnã como porta de entrada dos produtos brasileiros para a
Ásia. Uma empresa brasileira vai investir US$ 100 milhões para
processamento de carne aqui no Vietnã”, destacou Lula.
O presidente também mencionou que está em curso uma negociação
para a venda de aviões da Embraer ao Vietnã, embora o acordo ainda
não tenha sido formalizado.

Relações com os Estados Unidos
Na coletiva de imprensa, Lula abordou as relações comerciais com os
Estados Unidos e criticou a postura protecionista do presidente Donald
Trump, que tem imposto tarifas a produtos brasileiros. Apesar das
divergências, Lula afirmou estar disposto ao diálogo.
“Na hora que eu sentir necessidade de conversar com o presidente
Trump, não terei nenhum problema de ligar para ele. Assim como espero
que ele também não tenha problema em ligar para mim. No exercício da
presidência, colocamos os interesses do Estado na mesa, não as nossas
questões ideológicas”, disse.
O presidente ressaltou que pretende esgotar as vias diplomáticas antes
de recorrer à Organização Mundial do Comércio ou adotar medidas de
retaliação.
Ao falar sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, Lula surpreendeu ao
elogiar a postura de Trump na busca por um cessar-fogo, apontando que
deveria ser um papel assumido anteriormente por Joe Biden.
“A conversa para ter paz é colocar Putin e Zelensky em torno de uma
mesa, com quem eles convidarem para participar, parar de atirar,
começar a plantar comida e discutir paz”, afirmou.
Com o fim da visita ao Vietnã, Lula encerrou uma semana de agendas na
Ásia, consolidando acordos comerciais e fortalecendo a presença do
Brasil no mercado internacional.

Fonte: Vermelho

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