STF investiga se a extrema direita lucrou com anúncio do ‘tarifaço’

Medida de Trump gerou movimentação atípica na compra e venda de
dólares, o que ligou o alerta da AGU. Apuração observa se Eduardo

Bolsonaro repassou informações privilegiadas

por  Murilo da Silva

Publicado 22/07/2025 13:35 | Editado 22/07/2025 13:59

Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca
O Supremo Tribunal Federal (STF) irá apurar se especuladores
lucraram com o anúncio do ‘ tarifaço ’ contra o Brasil feito por Donald
Trump. O pedido veio da Advocacia-Geral da União (AGU), que
observou que especuladores podem ter obtido informações
privilegiadas sobre a ação do presidente dos Estados Unidos.
A situação amplia o foco sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos
EUA. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, é relator do caso que
investiga o deputado federal licenciado e atendeu ao pedido da AGU,
nesta segunda-feira (21), para que seja observado se o filho de
Bolsonaro repassou a informação sobre as tarifas de 50% contra

produtos exportados pelo Brasil para especuladores do mercado
financeiro, o que configura crime.
As movimentações de Eduardo para promover sanções contra o
Brasil já eram alvo do Supremo. Agora, no entanto, o quadro se
agrava: além de incorrer em crime contra a pátria — ao buscar
retaliações contra o país condicionadas à situação jurídica de Jair
Bolsonaro —, cresce a suspeita de que a extrema direita pode ter se
aproveitado da situação para reforçar o caixa.
Conforme a AGU, há suspeitas de movimentações atípicas no
mercado cambial brasileiro antes e depois do anúncio feito por
Trump, em 9 de julho, de que imporia a tarifa contra o Brasil a partir
de 1º de agosto.
O despacho de Moraes determina que esta investigação tramite em
sigilo, ou seja, de forma autônoma em relação à apuração principal
que já observava as ações de Eduardo.
O sinal de alerta para o caso foi  aceso pelo Jornal Nacional . A
reportagem ouviu Spencer Hakimian, dono de um fundo de
investimentos em Nova York, que indicou que “alguém comprou de
US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões às 13h30, a R$ 5,46. E aí, dois minutos
depois do anúncio (às 16h17), vendeu a R$ 5,60 — quase a mesma
quantidade.”
A estimativa é de que este especulador lucrou entre 40% e 50% com o
que investiu por meio da possível informação privilegiada ao comprar
e vender o dólar norte-americano – que se valorizou rapidamente
após o anúncio.
A suspeita sobre o favorecimento e repasse de informações
privilegiadas recai sobre Eduardo Bolsonaro por todo o seu histórico
recente e por ele ter admitido, em entrevista ao podcast Inteligência
Ltda, que esteve em reuniões com autoridades norte-americanas
para tratar sobre o ‘tarifaço’.
Não é de se admirar — caso o fato seja comprovado — que a extrema
direita não esteja somente fazendo o Brasil de refém, ao vincular o
‘tarifaço’ à situação jurídica de Jair: ela também estaria lucrando com a
situação para emplacar uma nova rodada de desinformação e,

possivelmente, encher o caixa para campanhas eleitorais
antidemocráticas em 2026.
Enquanto a investigação avança, Jair Bolsonaro segue com
tornozeleira eletrônica e seus advogados devem explicações para
Alexandre de Moraes sobre possíveis  descumprimentos de medidas
cautelares  impostas pelo ministro.

Fonte: Vermelho

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