Tarifas dos EUA podem tirar R$ 25,8 bilhões do PIB nacional, revela Fiemg

Apesar dos 694 produtos que foram isentos da tarifa adicional,
impacto ainda atinge 55% das exportações e pode afetar 146 mil

postos de trabalho em até dois anos

por  Murilo da Silva

Publicado 06/08/2025 14:58 | Editado 06/08/2025 15:26

Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária
Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais
( Fiemg ), divulgado nesta terça-feira (5), revela que as tarifas
comerciais impostas pelos Estados Unidos podem reduzir em R$ 25,8
bilhões o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no curto prazo (de um
a dois anos) e até R$ 110 bilhões no longo prazo (de cinco a dez anos).
A simulação já considera as isenções para 694 produtos que
permanecem com a tarifa anterior de 10%. Esta longa lista de isenção
representa 45% do valor exportado aos norte-americanos.

Assim, a simulação considera o impacto somente para os demais
produtos, que receberam uma tarifa adicional de 40%, elevando para
50% o imposto cobrado.
Conforme divulga a Fiemg, a perda de renda das famílias pode
alcançar R$ 2,74 bilhões no curto prazo e significar a eliminação de
146 mil postos de trabalho formais e informais.
A avaliação é de que os setores industriais mais atingidos serão:
siderurgia, fabricação de produtos de madeira, fabricação de calçados
e de máquinas e equipamentos mecânicos. Quanto ao agro, o maior
impacto atinge o  café  e a carne bovina.
As exportações do Brasil aos EUA em 2024 chegaram a US$ 40,4
bilhões, o equivalente a 1,8% do PIB nacional.
“Os produtos brasileiros que seguem sujeitos à taxação representam
cerca de 55% das exportações ao mercado americano, somando
aproximadamente US$ 22 bilhões”, diz Fiemg.
A Federação visa alertar que mesmo com parte dos produtos isentos
do “tarifaço”, as negociações para mitigar os efeitos sobre demais
cadeias produtivas devem permanecer, como o governo tem feito.
Nesta quarta, o governo brasileiro formalizou uma  queixa na
Organização Mundial do Comércio (OMC)  contra a imposição da tarifa
por Donald Trump. Além disso, há a expectativa por um acordo
setorial com os norte-americanos que isente também o café e a carne
bovina brasileira.
Minas Gerais
Em específico sobre Minas Gerais, o terceiro maior estado exportador
para os EUA, com US$ 4,6 bilhões vendidos aos norte-americanos no
passado, o estudo revela que 37% das exportações ficam isentas da
sobretaxa e o restante, 63%, será atingido, principalmente devido ao
encarecimento dos preços do café, carnes bovinas e tubos de aço. O
impacto estimado no PIB mineiro chega a R$ 4,7 bilhões em dois
anos.

Nesse sentido, a entidade reforça que a via diplomática é o caminho
mais eficaz para mitigar os impactos negativos da ação de Trump.

Fonte: Vermelho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *