Tentativa de interferência dos EUA é “inadmissível”, diz Gilmar
No dia em que começa a valer a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos
brasileiros, o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse que
disputas tarifárias entre países são normais, mas a tentativa de interferir nas
instituições de outro país é “inadmissível”.
“Seria inadmissível que nós, em nossas pretensões comerciais, exigíssemos
mudanças de entendimento da Suprema Corte americana. Isso seria impensável.
Da mesma forma, isso se aplica ao Brasil”, disse ele nesta quarta-feira (6/8),
antes do Fórum Saúde, evento organizado pelo Esfera Brasil e pelo laboratório
farmacêutico EMS em Brasília.
“Tenho a impressão que crises entre países, guerras tarifárias, são normais. Por
isso, constituiu-se a OMC (Organização Mundial do Comércio), para dirimir essas
dúvidas. Esses debates são normais, o que não é normal é a tentativa de valer-se
das tarifas para obter mudanças institucionais, afetar a soberania dos países. Isso
é claramente repudiado, claramente não aceito por nações maduras, como é o
caso do Brasil.”
Na quarta-feira passada (30/7), o presidente americano Donald Trump confirmou,
com exceções, o “tarifaço” e anunciou a aplicação da Lei Magnitsky contra o
ministro Alexandre de Moraes. As medidas foram apresentadas pelo republicano
como respostas a uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
e a “uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas dos EUA e do Brasil”.
Fonte: Consultor Jurídico

