1º de Maio: menos jornada, mais direitos e um projeto nacional de desenvolvimento

Não podemos aceitar um Brasil onde o trabalhador é explorado até a
exaustão, enquanto o sistema financeiro dita as regras, por  Erick Dênil.

Publicado 29/04/2025 19:04 | Editado 29/04/2025 19:50

Foto: reprodução/Canva
O 1º de Maio não é um dia de comemoração vazia, mas de luta e
resistência. Enquanto os patrões e o capital celebram seus lucros, nós,
trabalhadores, lembramos que todas as nossas conquistas vieram da
organização e da pressão nas ruas. E hoje, mais do que nunca,
precisamos retomar essa força para exigir o que é nosso por direito:
trabalho digno, salário justo e um projeto de nação que coloque o povo
em primeiro lugar.
A realidade do trabalhador brasileiro hoje é de precarização, jornadas
exaustivas e direitos sendo retirados um a um. Empresas como Uber,
iFood e Rappi transformaram o emprego em algo ainda mais inseguro:
motoristas e entregadores trabalham 12, 14 horas por dia, sem carteira
assinada, sem férias, sem aposentadoria, sem sequer o direito de
reclamar das condições abusivas. Eles são a face mais cruel de um
sistema que trata o trabalhador
como descartável.
Mas não são os únicos. Milhões estão em escala 6×1, presos em rotinas
que não deixam tempo para descansar, muito menos para viver. Isso não
é trabalho — é escravidão moderna.
Precisamos cortar essa espiral de exploração pela raiz. A jornada de
trabalho precisa ser reduzida para 40 horas semanais, sem redução de
salário, e a escala 6×1 deve acabar. Não faz sentido que, em pleno
século 21, com tanta tecnologia e riqueza sendo produzida, o trabalhador
ainda precise se matar de trabalhar para ganhar um salário que mal paga
as contas.
O salário mínimo precisa ser valorizado urgentemente, não apenas para
cobrir a inflação, mas para garantir poder de compra real — um
trabalhador que não consegue se alimentar direito, pagar o aluguel ou
comprar um remédio não está vivendo, está sobrevivendo.
Mas, não basta apenas melhorar as condições individuais do trabalho.
Enquanto o Brasil não tiver um projeto nacional de desenvolvimento, que
rompa com a dependência de um modelo econômico voltado para o lucro
de poucos, continuaremos reféns da instabilidade e da miséria.
Precisamos de investimento público massivo em indústria, infraestrutura
e tecnologia, gerando empregos de qualidade e reduzindo a dependência
de importações. Redução da taxa de juros, para que o crédito não seja
um privilégio de banqueiros, mas uma ferramenta de crescimento para
pequenos negócios e trabalhadores. Uma política econômica que priorize
o mercado interno, aumentando o consumo e fortalecendo a produção

nacional, em vez de sugar os recursos do país para pagar dívidas
especulativas.
Não podemos aceitar um Brasil onde o trabalhador é explorado até a
exaustão, enquanto o sistema financeiro dita as regras. O Primeiro de
Maio deve ser um dia de lembrar que nossa força vem da união. Foi
assim no passado, quando conquistamos a CLT, a jornada de oito horas
e direitos trabalhistas. E será assim no futuro, quando impusermos
menos horas de trabalho, mais salário e um país verdadeiramente
soberano.

Fonte: Vermelho

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