Lula oficializa assentamento após 22 anos de luta de famílias do MST
Mais de 450 famílias são beneficiadas no Paraná em área de 10,6 mil
hectares; presidente defende a reforma agrária como expressão de
justiça social e estratégia econômica
por Barbara Luz
Publicado 29/05/2025 18:09 | Editado 29/05/2025 18:54
Lula: “Hoje é um dia de festa, um dia histórico para o Brasil” | Foto: Ricardo
Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou nesta quinta-feira (29) a
criação do Assentamento Maila Sabrina, nos municípios de Ortigueira e
Faxinal, no Paraná. O assentamento beneficia cerca de 450 famílias de
trabalhadores rurais em uma área de 10,6 mil hectares, ocupada desde
2003 por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST).
A ação integra o programa Terra da Gente, lançado pelo governo federal
para acelerar a reforma agrária e estruturar assentamentos produtivos no
país. O imóvel, conhecido como Fazenda Brasileira, foi objeto de disputa
judicial por duas décadas, até que um acordo mediado pelo Tribunal de
Justiça do Paraná pôs fim ao conflito e garantiu a posse legal à
comunidade.
Durante a cerimônia, Lula afirmou que a reforma agrária é uma questão
de justiça e de estratégia para o desenvolvimento do Brasil. “Tem gente
que tenta vender a imagem de que vocês são invasores de terra. Na
verdade, vocês são invasores de dignidade, de busca por respeito, de
busca por direitos que vocês têm que ter”, declarou o presidente.
Lula também destacou o papel da agricultura familiar na segurança
alimentar. “Quanto mais gente estiver produzindo no campo, quanto mais
pequenos proprietários a gente tiver, quanto mais incentivo a gente der,
quanto melhor produzir, fica mais barato e todo mundo vive melhor”,
afirmou.
Assentamento consolidado: produção diversificada e recuperação
ambiental
A área ocupada, que antes mantinha criação extensiva de búfalos e se
encontrava ambientalmente degradada, passou por profunda
transformação. Com organização comunitária, as famílias estruturaram
produção diversificada, incluindo cultivos orgânicos, agroindústrias e
criação de animais, além de serviços e atividades culturais. Hoje, cerca
de 1.600 pessoas vivem no local.
Segundo dados do projeto MapBiomas, entre 2003 e 2023 houve
recuperação ambiental com substituição de pastagens degradadas por
lavouras e florestas. A comunidade também ganhou protagonismo
regional, doando alimentos durante a pandemia e movimentando a
economia local.
Para o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo
Teixeira, o assentamento é exemplo do potencial da reforma agrária para
combater a fome. “Maila Sabrina, uma menina de 3 anos que faleceu, e
em torno da vida dela, aqui nós estamos construindo vidas. Ali eu vi o
caminho para tirar todos os brasileiros do mapa da fome.”
O acordo judicial que garantiu a posse foi construído ao longo de dois
anos e homologado pela Justiça Federal. O advogado-geral da União,
Jorge Messias, ressaltou o papel da decisão política. “Qualquer acordo
que a gente consegue construir, seja na reforma agrária, seja no
atendimento às populações indígenas ou quilombolas, só se dá porque
nós temos a decisão política do presidente Lula, que nos inspira todos os
dias”, disse.
Investimentos e novas políticas fortalecem a agricultura familiar
Durante o evento, o governo federal também anunciou um conjunto de
investimentos e ações complementares para fortalecer a agricultura
familiar. Foi destinado R$ 1,3 milhão do Crédito Instalação Fomento
Mulher a 142 mulheres do Assentamento Eli Vive, em Londrina. Também
foram assinados contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar (Pronaf).
Outro destaque foi o protocolo firmado com a Itaipu Binacional para
compras institucionais de alimentos da agricultura familiar e ampliação da
assistência técnica com foco em bioeconomia.
O dirigente nacional do MST, Roberto Baggio, celebrou a conquista após
22 anos de resistência. “Tudo que vocês estão vendo aqui — com
exceção da unidade de saúde — foi construído sem nenhum aporte
público, porque o Estado dizia que essa área era irregular. Agora, com
esse projeto, nós vamos ver desenvolvimento econômico, social e
produtivo.”
A criação do Assentamento Maila Sabrina marca a retomada efetiva da
reforma agrária no país. Desde 2023, mais de 15 mil novos lotes foram
destinados. A meta do governo é assentar 60 mil famílias até 2026.
Fonte: Vermelho

