Trump está criando suas S.A. e os EUA avançam rumo ao fascismo

Trump ordena a criação de unidades especiais da Guarda Nacional
que estarão sob seu comando direto e podem ser usadas para

intervenção em todo o país.

por  Wevergton Brito

Publicado 01/09/2025 21:27 | Editado 02/09/2025 07:53

Donald Trump acena durante uma reunião com policiais, incluindo
soldados da Guarda Nacional, em Washington / Jacquelyn Martin – AP
No último dia 25 de agosto, o presidente dos EUA, Donald Trump,
emitiu uma nova ordem executiva que “leva os EUA ainda mais longe
no caminho rumo ao fascismo”, segundo C.J. Atkins, articulista do
site People’s Word, porta-voz do Partido Comunista dos EUA.
Realmente, a ordem executiva sobre a Guarda Nacional, apesar de ter
sido noticiada no Brasil, não recebeu a atenção devida pelo que
representa de fato.
Como afirma Atkins, “desde os tempos das S.A. (Sturmabteilung – Tropas
de Assalto) de Hitler — os ‘camisas-pardas’ — nenhum líder em um país

capitalista avançado empunhou um exército político privado, fora das
forças regulares militares e policiais, que respondesse apenas a ele”, e é
justamente disso que se trata.
Trump, com esse decreto executivo, cria unidades especiais da
Guarda Nacional de “lei e ordem”, que podem ser convocadas por
iniciativa exclusiva do presidente, para “conter distúrbios internos”
sem precisar passar pelos governadores estaduais que, por lei, são
os comandantes da Guarda.
Trump ordenou a instalação de uma força-tarefa que deve “criar e
iniciar imediatamente o treinamento, contratação e equipagem” dessa
“unidade especializada” recrutando voluntários civis “com experiência
em segurança pública ou em áreas relevantes” para trabalhar junto a
órgãos federais de aplicação da lei, a fim de cumprir as ordens do
presidente em locais que ele designe como enfrentando uma
“emergência de segurança pública”.
A decisão sobre a existência de uma “emergência segurança pública”
caberá unicamente ao presidente.
Resumindo: serão unidades armadas que atuando sem qualquer
mediação ou controle, estarão ligadas exclusivamente a Trump. E
esse novo Duce ou Führer da extrema-direita mundial, usando falsos
pretextos, pode promover intervenções militares domésticas por todo
o país, principalmente nas cidades e estados onde a oposição
predomina ou existam grandes bolsões de população negra e
imigrante.
Relata C.J. Atkins: “Washington, D.C., foi o primeiro local da lista e verá os
primeiros destacamentos tanto das unidades da Guarda Nacional
controladas por Trump quanto do exército privado MAGA. Sua ordem
executiva afirma explicitamente que essas tropas poderão ser enviadas
‘sempre que as circunstâncias exigirem’ para ‘cidades onde a segurança
pública e a ordem tenham sido perdidas’.
Chicago e Los Angeles despontam como os próximos alvos prováveis.
Continua Atkins: “É de se esperar que o exército de Trump seja inundado
por ‘voluntários’ vindos das fileiras de sua base política. Ex-policiais, ex-
militares e outros ansiosos para ajudar a prender imigrantes e reprimir

opositores políticos de Trump (…) membros de grupos como os
supremacistas brancos Proud Boys e outros que atuaram como tropas de
choque durante a tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, terão uma
nova oportunidade para exibir suas inclinações violentas”.

Proud Boys (Garotos Orgulhosos ou Rapazes Orgulhosos), grupo neofascista
exclusivamente masculino
Para não fugir à rotina, o uso da Guarda Nacional por Trump fere
frontalmente uma lei federal de 1878 (Ato Posse Comitatus) que
proíbe com todas as letras o uso de tropas federais para fins de
policiamento, exceto em situações de completo colapso dos governos
locais ou estaduais e nenhuma das cidades na lista de alvos de Trump
— nem Los Angeles, nem Washington, nem Chicago – estão sequer
perto desta situação.
“Talvez a gente queira um ditador”
A iniciativa aponta tão claramente para um rumo autoritário que o
próprio Trump, na entrevista coletiva concedida logo após a
assinatura do Decreto, ao mesmo tempo em que negava ser um
ditador, disse simplesmente o seguinte:

“Eles [os críticos] afirmam: ‘Não precisamos dele. Liberdade, liberdade, ele
é um ditador, ele é um ditador’ (porém) muita gente está dizendo: ‘Talvez
a gente queira um ditador’.”
Trump repete o que disse em 2023 quando afirmou que existiria um
grande número de pessoas desejando que ele fosse um ditador. Essa
afirmação, e sua repetição posterior, não é um sarcasmo como ele
alega, é a explicitação de um projeto que já está em andamento e
pode ou não ser vitorioso.
O articulista do People’s Word, termina seu texto da seguinte forma:
“Se algum dia existiu um momento que exigisse uma frente unida contra
o fascismo, esse momento é agora”.

Fonte: Vermelho

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