Sob ataques dos EUA, Lula e chefes sul-americanos tratam de democracia dia 21
Reunião no Chile, nesta segunda, também terá Pedro Sanchez, da
Espanha. Embora atividade já estivesse agendada, investidas de
Trump à soberania brasileira deverão permear debates
por Priscila Lobregatte
Publicado 20/07/2025 11:15 | Editado 20/07/2025 13:52
Orsi (Uruguai), Petro (Colômbia), Lula (Brasil) e Boric (Chile) se reúnem nesta
segunda. Foto: Ricardo Stuckert
Em meio à série de ataques à soberania e às instituições brasileiras
por parte do governo dos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva participa, nesta segunda-feira (21), em Santiago, de
reunião de alto nível sobre defesa da democracia.
Organizado pelo presidente do Chile, Gabriel Boric, o encontro
também contará com as presenças dos líderes de Colômbia, Gustavo
Petro, Espanha, Pedro Sánchez, e Uruguai, Yamandú Orsi.
O evento consistirá em reunião reservada entre os presidentes,
seguida de almoço e de encontro com representantes da sociedade
civil, do meio acadêmico e de centros de reflexão (think tanks).
As discussões estarão organizadas em torno de três eixos centrais:
defesa da democracia e do multilateralismo; combate às
desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à
desinformação.
A atividade dá seguimento à primeira reunião de alto nível “Em defesa
da Democracia: lutando contra o extremismo”, realizada em 24 de
setembro de 2024, à margem da 79ª Assembleia Geral das Nações
Unidas, e convocada pelos presidentes Lula e Pedro Sánchez.
A segunda edição da reunião da iniciativa está prevista para acontecer
em setembro, no contexto da 80ª Semana de Alto Nível da Assembleia
Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Ataques dos EUA
O encontro desta segunda já estava programado antes das investidas
de Donald Trump contra o Brasil. Mas o tema, evidentemente, será
central nos debates entre os lideres. Inclusive porque tais ataques
ligam um sinal de alerta às demais nações sul-americanas, que
podem, a qualquer momento, ver sua soberania em risco por ações
arbitrárias do imperialismo estadunidense.
Nas últimas semanas, o presidente estadunidense intensificou os
ataques contra o Brasil. A principal diz respeito à aplicação de taxa de
50% para os produtos exportados para os EUA, sob o argumento
extorsivo de forçar as instituições brasileiras a suspenderem o
processo por golpe de Estado que corre no Supremo Tribunal Federal
(STF) contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores próximos, numa clara
afronta à soberania nacional.
Além disso, Trump investiu contra o Pix, argumentando que a
modalidade de pagamento desenvolvida pelo Banco Central brasileiro
configuraria uma “prática desleal” no âmbito comercial. E nesta sexta-
feira (18), o governo dos EUA decidiu revogar vistos do ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, seus familiares
e “aliados na Corte”.
Com agências

