Lula rebate protecionismo comercial de Trump e negacionismo na saúde e clima
Presidente esteve na reunião de Sherpas do BRICS, em Brasília. Lula
reforça o papel da OMS, do Acordo de Paris e da COP30, como também
por novas plataformas de pagamento, por Murilo da Silva.
O presidente Lula discursou nesta quarta-feira (26) na abertura da
Primeira Reunião de Sherpas da presidência brasileira do BRICS (Brasil,
Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados
Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã), realizada no Palácio Itamaraty,
em Brasília.
Com uma fala crítica que passou sobre os diversos pontos que nortearão
a presidência brasileira do grupo, Lula defendeu a Organização Mundial
da Saúde (OMS), iniciativas globais pelo clima como o Acordo de Paris e
a COP30, e também novas plataformas de pagamento para superar
entraves da integração econômica. Todos esses pontos vão ao contrário
do que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pregado.
Lula ainda tratou sobre inteligência artificial ao defender a mitigação de
riscos de forma compartilhada e a distribuição equânime da tecnologia.
Leia mais: Brasil sedia Cúpula do BRICS em julho em meio a ameaças
de Trump
Os trabalhos da presidência brasileira do grupo foram separados em seis
eixos. Os Sherpas, enviados dos chefes de estado/governo dos
integrantes do BRICS, tem a responsabilidade de construírem as
propostas que serão levadas à Cúpula de Líderes, que ocorre em 6 e 7
de julho , no Rio de Janeiro. Na proposta lida por Lula constam:
1. Reforma da arquitetura multilateral de paz e segurança, com
reforma das Nações Unidas, inclusive do Conselho de Segurança;
2. Parceria para eliminação de doenças socialmente determinadas e
doenças tropicais negligenciadas;
3. Contribuição para aprimoramento do sistema monetário e
financeiro internacional;
4. Atenção aos efeitos da crise climática no planeta;
5. Discussão sobre o papel da inteligência artificial e seus desafios
éticos, sociais e econômicos;
6. Aumento da institucionalidade do BRICS, para garantir mais
eficiência nas decisões e ações com maior impacto global
possível.
‘Recados’ a Trump
Em seu discurso, Lula discorre sobre cada um dos eixos. Ao falar sobre a
necessidade de reformar o multilateralismo e buscar a paz, o presidente
lembra da contribuição de China e Brasil com a criação do “Grupo de
Amigos da Paz para o conflito na Ucrânia ”, ressalta que a “crise em Gaza
desperta intensa preocupação e só será resolvida com o envolvimento
dos países da região”. Ele ainda disse que o Brasil lançou um “Chamado
à Ação sobre a Reforma da Governança Global” no âmbito do G20 e
lembrou da urgência da reforma das Nações Unidas, incluindo o
Conselho de Segurança – como ele já propôs em outros discursos.
Quanto à saúde, Lula fala que pretende lançar uma Parceria para
a Eliminação de Doenças Socialmente Determinadas e Doenças
Tropicais Negligenciadas. Em recado amplo, mas que encontra abrigo
nos presidentes de Estados Unidos e Argentina, Trump e Javier
Milei, Lula ressalta que sabotar os trabalhos da Organização Mundial da
Saúde (OMS) “é um erro com sérias consequências”. Nesse sentido,
pede o fortalecimento da arquitetura global de saúde com a OMS no
centro.
Ao tratar sobre a reforma do sistema monetário e financeiro
internacional, outro ponto que vem martelando em eventos
internacionais, o presidente brasileiro lembra que é pelo Novo Banco de
Desenvolvimento, conhecido como banco do BRICS, que um novo
modelo que responda às necessidades do Sul Global irá surgir.
Em outro recado que pode ser atribuído a Trump, Lula diz que: “a atual
escalada protecionista na área de comércio e investimentos reforça a
importância de medidas que busquem superar os entraves à nossa
integração econômica”. O presidente dos EUA vem taxando produtos
estrangeiros de nações que não se submetem aos seus interesses.
Leia mais: Trump ameaça países do BRICS com tarifas de 100%
Dessa maneira, Lula reforça que a gestão brasileira do grupo está
comprometida com “o desenvolvimento de plataformas de pagamento
complementares, voluntárias, acessíveis, transparentes e
seguras”, assim como visa melhorar a” Parceria para a Nova Revolução
Industrial (PartNIR)” e promover a atualização da “Estratégia para a
Parceria Econômica do BRICS para 2030”.
No que diz respeito à crise climática, a fala foi taxativa: “A omissão custa
caro e não poupará ninguém”. Nesse sentido, defende o papel do Acordo
de Paris e da COP30 de Belém, sem deixar de pedir que os países
apresentem, assim como o Brasil, novas contribuições nacionalmente
determinadas (NDCs) para combate às mudanças climáticas.
Sobre Inteligência Artificial (IA) , observa que existem “desafios éticos,
sociais e econômicos”, por isso é fundamental a responsabilidade
compartilhada do assunto com o BRICS no centro dos debates para a
construção de uma governança justa e equitativa, para que assim não
ocorra a distribuição desigual dessa tecnologia, deixando o Sul Global de
fora.
Por fim, o presidente Lula fala sobre o crescimento do BRICS e suas
responsabilidades, pois “não basta reunir líderes todos os anos se não
somos capazes de escutar os anseios dos cidadãos“. Assim, pede uma
coordenação mais eficaz e ágil para ações com o maior impacto global
possível.
Fonte: Vermelho

