Tarifaço: brasileiros preferem atuação de Lula à de Bolsonaro, diz pesquisa

Levantamento Genial/Quaest também aponta aumento na avaliação
positiva de Lula e mostra que 77% acreditam que o presidente dos

EUA está errado ao taxar Brasil

por  Priscila Lobregatte

Publicado 16/07/2025 17:15 | Editado 16/07/2025 18:02

Foto: Ricardo Stuckert
Uma nova pesquisa reforça que os ataques de Donald Trump à
soberania brasileira e sua escolha por taxar produtos brasileiros em
50% — supostamente em represália ao processo contra Jair
Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado — têm trazido frutos
políticos positivos para o governo Lula. A cartada mais recente do
presidente dos Estados Unidos uniu boa parte da população,
empresariado e governo na busca por uma resposta equilibrada e
ativa.

Esse cenário fica claro no levantamento da Genial/Quaest, publicado
nesta quarta-feira (16) —  assim como já havia mostrado pesquisa
divulgada na terça-feira (15), feita pela Atlas/Bloomberg.  Entre outros
pontos, os entrevistados opinaram sobre quem estava fazendo o que
é mais certo nesse embate — o atual presidente brasileiro ou seu
antecessor, Jair Bolsonaro.
“Na disputa entre os dois lados, Lula e o PT venceram a batalha da
opinião pública contra Bolsonaro e seus aliados, pelo menos até aqui.
A maior parte dos brasileiros defende que Lula está se saindo melhor
que Bolsonaro (44% a 29%)”, apontou Felipe Nunes, CEO da Quaest,
em suas redes sociais. Para 15%, nenhum dos dois está correto e 12%
não souberam dizer.
Cabe destacar que, no universo dos que se dizem sem
posicionamento político, a maioria demonstrou apoio ao presidente:
eles somam 37%, ante 20% dos que apontaram Bolsonaro e seus
aliados e 23% dos que escolheram “nenhum dos dois”.
Maior aprovação
Os números apresentados apontam, ainda, para um crescimento na
aprovação ao governo Lula, que passou de 40% em maio para 43%
agora, enquanto a desaprovação caiu de 57% para 53%.
Da mesma forma, a avaliação positiva do Executivo federal aumentou
dois pontos percentuais desde aquele mês, ficando em 28% agora,
mesmo percentual dos que o julgam regular. Os que consideram
negativo, por sua vez, saíram de 43% para 40%.
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tarifa
Ao analisar esses dados, Felipe Nunes, chamou atenção, para o fato
de que “a melhora na popularidade se deu principalmente fora das
bases de apoio tradicionais do governo”.
Ele cita que, “enquanto nas outras regiões não houve variação na
aprovação, no Sudeste a diferença negativa passou de -32 pp (pontos
percentuais) para -16 pp”. Isso porque, em maio, 64% desaprovavam

o governo nessa região, contra 56% agora. Por outro lado, a
aprovação saltou de 32% para 40%.
Além disso, houve um significativo avanço na aprovação dos que têm
ensino superior completo: o índice era de 33% há dois meses,
passando para 45% agora. No caso da desaprovação, despencou de
64% para 53%.
Outro recorte relevante da pesquisa diz respeito à classe social. “Não
foi nem entre os mais pobres, nem entre os mais ricos que captamos
mudanças na aprovação; foi nos setores de renda média: a diferença,
que era de -19 pp, passou para -9 pp de maio para cá”, observou
Nunes. Nesse estrato, que vai de quem ganha de dois a cinco salários
mínimos, a aprovação saiu de 39% para 43%, enquanto a
desaprovação foi de 58% para 52%.
Entre os que ganham até dois salários mínimos, os índices continuam
próximos: a desaprovação era de 51%, caindo para 49%, enquanto a
aprovação se manteve em 46%.
A maior desaprovação está entre os que recebem mais de cinco
salários mínimos, mas ainda assim houve uma variação positiva para
o governo: estes somavam 64% e passaram a 61%; já a aprovação
subiu de 33% para 37%.
Visão sobre Trump
Outra dado incômodo para os bolsonaristas trazido pela pesquisa diz
respeito à visão dos brasileiros sobre Donald Trump. Quando
questionados se ele “está certo ou errado ao impor taxas por
acreditar que há uma perseguição a Bolsonaro no Brasil”, a grande
maioria, 72%, o classificam como errado, contra 19% que o acham
certo e 9% que não sabiam ou não quiseram responder.
Entre aqueles que “não têm posicionamento”, 77% acreditam que
Trump está errado e apenas 10% dizem que ele está certo (13% não
sabiam ou não responderam). “O tarifaço contra o Brasil conseguiu
unir a esquerda, os lulistas e os moderados (sem posicionamento);
mas dividiu a direita e os bolsonaristas. Ou seja, empurrou o ‘centro’
para o colo do Lula”, avalia Nunes, ao tratar desses dados.

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Além disso, 63% acreditam ser incorreta a posição do presidente dos
EUA de que a relação comercial entre os países seria injusta, ante 25%
que acreditam no contrário.
A pesquisa também aferiu se Trump tinha ou não o direito de criticar
o processo em que Bolsonaro é réu. E mais uma vez, a maioria foi
contra a posição do republicano: 57% responderam que ele não tem
esse direito, contra 36% que acreditam que ele tem.
Economia
Outro aspecto investigado pela pesquisa para aferir a aprovação do
governo diz respeito ao andamento da economia. Nesse quadro,
também houve melhoras. No entanto, como as variações não foram
tão altas, a hipótese é que o episódio “Trump X Brasil” pode ter
influenciado mais a opinião geral — até porque a pesquisa foi feita
entre o dia 10, logo após a carta de Trump, e 14 de julho.
Segundo o levantamento, para 46%, a economia brasileira piorou nos
últimos 12 meses (eram 48% em maio); os que acreditam que
melhorou somam 21% (eram 18%) e para 30%, ficou do mesmo jeito,
percentual igual ao de dois meses atrás. Também houve leve melhora
na percepção sobre o preço dos alimentos nos mercados: para 76%,
ele subiu (ante 79% em maio); para 8%, caiu (um ponto a menos do
que antes) e para 14% ficou igual (estes eram 12%).
Justiça tributária
Outro tema que a pesquisa trouxe à tona foi o debate recente sobre
justiça tributária, as tentativas do governo neste sentido e as reações
do Congresso para barrar iniciativas sobre o tema.
Quando questionados sobre se ficou sabendo da “agenda de justiça
tributária do governo”, 56% disseram que não e 43% que sim. Mas,
quando a pergunta foi sobre se o governo deve ou não aumentar o
imposto dos mais ricos para diminuir o dos mais pobres, 63% dizem
que deve, contra 33% que acham que não.

A pesquisa, realizada entre 10 e 14 de julho, ouviu 2.004 pessoas, com
entrevista feita pessoalmente por meio de questionários
estruturados. A margem de erro estimada é de dois pontos
percentuais e o nível de confiança é de 95%.

Fonte: Vermelho

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