Maioria dos brasileiros defende a democracia e diz que Bolsonaro quis dar golpe
Datafolha aponta que 69% preferem a democracia, enquanto 68%
acreditam que País correu o risco de um golpe de Estado.
Mais da metade dos brasileiros acredita que Jair Bolsonaro (PL) tentou
se manter no poder via golpe de Estado e uma ampla maioria também
acha o país esteve sob risco de uma ruptura democrática entre o final de
2022 e o início do ano passado. Da mesma forma, é majoritário —
embora tenha caído — o apoio da população à democracia. Tal quadro
parece indicar que boa parte do povo está acompanhando os
acontecimentos que envolvem a trama bolsonarista e não está disposta a
apoiar ou embarcar numa aventura autoritária.
Essas são algumas das constatações trazidas por pesquisa Datafolha
publicada nesta quarta-feira (18). De acordo com o levantamento, 69%
defendem a democracia como a melhor forma de governo, índice
bastante positivo, mas um pouco abaixo do aferido pelo instituto em
outubro de 2022, quando foi de 79%.
Naquele momento, talvez a exacerbação do senso político em meio à
disputa entre centro-esquerda e extrema-direita, representadas por Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), explique o grau mais
elevado de apoio. O índice de então foi o maior captado desde 1989,
quatro anos após o fim da ditadura militar e quando houve a primeira
eleição em que o povo pôde votar diretamente para presidente.
A pesquisa de agora mostrou, ainda, que para 17% tanto faz se a forma
de governo é uma democracia ou ditadura, contra 11% em 2022. Os que
acreditam que em certas circunstâncias a ditadura pode ser melhor
totalizam 8%, ante 5% há dois anos; 6% disseram não saber.
Analisando o recorte de gênero e classe social, os homens apoiam mais
a democracia, 74%, dos que as mulheres, 64%. Da mesma forma, a
maior adesão ao sistema ocorre entre os que ganham mais de cinco
salários mínimos, 80%, ante 61% dos que têm renda de até dois salários
mínimos. Por escolaridade, 87% dos que têm nível superior escolhem a
democracia, contra 56% entre os menos instruídos.
Chance de golpe e papel de Bolsonaro
Outro dado relevante da pesquisa é que 68% acreditam que de fato o
país correu o risco de viver um golpe entre a vitória de Lula em 2022 e
sua posse no ano seguinte.
Nesse universo, 43% avaliam esse risco como tendo sido grande, frente
a 17% que acreditam ter sido médio e 8% pequeno. Uma fatia de 25%
diz que não houve esse risco.
O levantamento também apontou que para 52%, não há hipótese de
retorno da ditadura; já 21% acreditam que há alguma chance, mesmo
percentual de quem vê uma grande possibilidade.
Quanto ao papel do ex-presidente nesse contexto de possível ruptura
democrática, 52% dizem que Jair Bolsonaro tentou viabilizar um golpe de
Estado para se manter no poder, à revelia da vontade majoritária da
população, que escolheu Lula como presidente. Os que disseram não
acreditar nessa hipótese somam 39% e 7% não souberam opinar.
Os que majoritariamente acreditam que Bolsonaro quis dar um golpe têm
perfil mais próximo daquele alinhado a Lula: os menos instruídos (59%),
mais pobres (60%) e nordestinos (64%). Na mão oposta, estão aqueles
que perfilam mais com os apoiadores do ex-presidente: 47% têm curso
superior, 49% são ricos, 50% são do Sul e 52%, evangélicos.
Tal quadro revela a percepção da maioria da população quanto à trama
urdida pelo ex-presidente, seu entorno e apoiadores e que tem sido alvo
de investigações da Polícia Federal.
A tentativa de golpe levou Bolsonaro a ser novamente indiciado no final
de novembro, assim como seu ex-ministro e candidato a vice, o general
Braga Netto, que acabou sendo preso no sábado. Ao todo, as
investigações sobre as investidas antidemocráticas já levaram ao
indiciamento de 37 pessoas, das quais 28 são militares.
A pesquisa Datafolha foi realizada nos dias 12 e 13 de dezembro com
2.002 eleitores em 113 municípios.
Com agências

