Redução da jornada de trabalho avança na América Latina
No Chile e na Colômbia, diminuição da carga horária laboral já está em
curso; no México, debate ganha força e no Brasil, projetos no Congresso
buscam garantir esse direito.
Fator fundamental para garantir melhor qualidade de vida para os
trabalhadores, a redução da jornada laboral tem sido debatida e também
viabilizada na América Latina, em países como Chile, Colômbia e
México. Por aqui, parlamentares também têm se dedicado ao tema, com
projetos que já tramitam no Congresso Nacional.
O México — com 48 horas semanais, tida como a maior jornada do
mundo, segundo o relatório da Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE) —, também já está buscando rever
o tempo gasto com o trabalho.
Em 2022, a deputada do partido Morena (Movimento Regeneração
Nacional), Susana Prieto Terrazas — o mesmo da atual presidente,
Claudia Sheinbaum — apresentou projeto propondo que o período
laboral seja de, no máximo, 40 horas semanais. Por falta de apoio no
congresso, a pauta não evoluiu, mas, nos últimos tempos, o debate
voltou a ganhar força.
Conforme artigo assinado pelos pesquisadores Guillermo Oglietti e
Mariana Dondo, do Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica
(Celag), publicado pelo site Opera Mundi, “embora as empresas
provavelmente enfrentem um aumento inicial nos custos operacionais
(com a redução da jornada), a experiência internacional mostra que os
benefícios em termos de produtividade, bem-estar do trabalhador e
crescimento econômico superam em muito essas dificuldades”.
Eles apontam ainda que, além de alinhar o México aos padrões globais,
“essa reforma tem o potencial de aumentar a formalidade do trabalho e
promover um ambiente mais equitativo e sustentável para todos os
agentes econômicos”. Outro ponto destacado no artigo é que a medida
pode gerar entre 140 mil e 500 mil novos empregos.
Outros dois países latino-americanos estão mais adiantados. Em 2023, o
Chile diminuiu a quantidade de horas trabalhadas semanalmente de 45
para 40 e a Colômbia também estabeleceu a redução gradual de 48
horas em 2023 para 42 em 2026.
Propostas no Brasil
No Brasil, um do projetos de lei mais recentes em tramitação foi
apresentado pela deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que propõe a
alteração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Lei
12.790/2013, para estabelecer que a duração normal da jornada não
poderá exceder 40 horas semanais e para garantir ao menos dois dias
semanais de repouso remunerado aos trabalhadores.
Na justificativa do projeto, a parlamentar explica que “a redução da
jornada normal máxima semanal é uma medida essencial para alinhar o
Brasil a outros países em situação econômica similar, garantindo, assim,
maior qualidade de vida para o trabalhador, que terá mais tempo livre
para lazer, estudo e convívio familiar e social”.
O texto acrescenta que “nesse mesmo sentido, a proposta concretiza o
anseio popular pelo fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de
descanso), passando a garantir a todos os trabalhadores brasileiros pelo
menos dois dias semanais de repouso remunerado”.
O fim da escala 6×1 ganhou destaque a partir do debate colocado pelo
movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que inspirou uma Proposta de
Emenda à Constituição (PEC), encabeçada pela deputada Erika Hilton
(PSol-SP). No final do ano passado, a matéria atingiu o número
necessário de assinaturas para possibilitar sua tramitação e deve ser
protocolada em breve.
Outras duas PECs, com algumas diferenças, também tratam da redução
da jornada. Uma delas foi apresentada em 2019 pelo deputado
Reginaldo Lopes (PT/MG). O texto propõe a redução, em um prazo de
dez anos, de 44 horas semanais por 36 horas semanais de trabalho sem
redução de salário. A PEC encontra-se na Comissão de Constituição e
Justiça da Câmara (CCJ) e a proposta de Erika Hilton poderá ser
anexada a esta.
Em 2015, o senador Paulo Paim (PT-RS) também já havia se dedicado
ao tema ao apresentar PEC estabelecendo uma redução de 44 horas
para 40 horas semanais no primeiro ano de vigência. Em seguida, a
jornada seria reduzida uma hora por ano até chegar às 36 horas
semanais.
No texto, Paim argumenta que estudos relativos à redução da jornada de
trabalho têm mostrado que a redução é do interesse tanto dos
empregadores, quanto dos empregados. “No caso dos empregadores, a
redução da jornada de trabalho é vista como um meio de reduzir custos,
já que torna possível ajustar a utilização da mão-de-obra às
necessidades de produção das empresas, evitando o uso de horas
extras”.
No caso dos trabalhadores, aponta, “a existência de jornadas menores
atende aos anseios de diversos grupos sociais que desejam trabalhar
jornadas mais curtas. Em particular, os trabalhadores mais qualificados,
os jovens e os pais com filhos pequenos tendem a ser os grupos sociais
mais interessados na adoção de uma jornada de trabalho reduzida”.
Fonte: Vermelho

