Ex-ministro de Bolsonaro é acusado de falso testemunho na CPMI do INSS

José Carlos Oliveira disse que apenas tomou conhecimento dos
descontos ilegais nos pagamentos após a Operação Sem Desconto,

deflagrada neste ano

por  Iram Alfaia

Publicado 11/09/2025 18:54 | Editado 11/09/2025 19:21

Ex-ministro do Trabalho e Previdência, Ahmed Mohamad (José Carlos).
(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
O ex-ministro do Trabalho e Previdência Ahmed Mohamad (José
Carlos Oliveira) usou reiteradamente a expressão “Não me lembro” ao
responder aos questionamentos nesta quinta-feira (11) na sessão da
CPMI do INSS, que investiga as fraudes nos descontos, sem
consentimentos, dos pagamentos de aposentados e pensionistas do
órgão por associações.
Nomeado no governo de Jair Bolsonaro (PL), Oliveira disse aos
parlamentares do colegiado que apenas tomou conhecimento dos

descontos ilegais na folha de pagamento após a Operação Sem
Desconto da Polícia Federal (PF), deflagrada neste ano. A ação
desarticulou a quadrilha que roubou R$ 6,3 bilhões de aposentados.
O depoimento do ex-ministro causou indignação entre os
parlamentares. O senador Fabiano Contarato (PT-ES) chegou a
adverti-lo sobre o crime de falso testemunho e cogitou medidas mais
duras, como voz de prisão.
Contarato apresentou um ofício do dia 5 de junho de 2018 do
Ministério Público Federal (MPF), direcionado a ele quando era
superintendente regional do INSS em São Paulo, sobre ocorrência de
descontos irregulares, mas o depoente, que também foi presidente
do INSS no governo Bolsonaro, disse que não se lembrava de
nenhuma denúncia.
“O senhor foi informado formalmente pela procuradora da República
sobre desconto irregular, fraudulento, e o senhor aqui, quando a
gente pergunta, o senhor fala: ‘Não, eu só tomei conhecimento agora,
com a Operação Sem Desconto’. Isso é crime de falso testemunho, no
342 [Código Penal]. É de ação penal pública incondicionada”, adverte
o senador.
O deputado Sidney Leite (PSD-AM) citou a Associação dos
Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), terceira
maior beneficiada por descontos irregulares com suspeita de
movimentação de R$ 231,3 milhões.
“Segundo a CGU, a arrecadação da Ambec, em 2021, foi de R$ 135. Já
no ano seguinte, em 2022, seus rendimentos explodiram, de R$ 135
para R$ 15 milhões. Investigadores apontam que o dinheiro era
dividido entre o Careca do INSS (Antônio Carlos Camilo Antunes),
27,5%, e o empresário Maurício Camisotti, 72,5%. Quais providências
foram adotadas pelo senhor à frente do INSS ou como ministro?”,
questiona o deputado.
“A curva dessa entidade, até dezembro de 2022, que foi quando nós
ficamos lá, aqui não chega a R$ 3 milhões”, responde Oliveira. “Mas
não é a informação que se tem, inclusive de que nós tivemos acesso”,
devolve o deputado. “É o que eu tenho aqui”, diz o ex-ministro. “Pois

é, mas essa não é a informação. É bom o senhor se cercar de
informações verdadeiras, até para não se incriminar”, adverte o
parlamentar.
“Quem diz apenas ‘não me lembro’ ou ‘não me recordo’ diante de
fatos gravíssimos desrespeita os aposentados e pensionistas e tenta
esvaziar o trabalho da CPMI. Vamos adotar as medidas cabíveis”,
afirma o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
“Não aceitaremos que ‘não me lembro’ e ‘não me recordo’ virem um
álibi para sonegar informações. A comissão seguirá firme para
garantir verdade, transparência e responsabilização”, adverte.
Quebra de sigilo
Por meio de um acordo entre parlamentares da base e oposição, a
CPMI aprovou 399 requerimentos de quebra de sigilo de pessoas e
empresas que possuem vínculos com associações de aposentados, e
também de sindicatos e entidades supostamente envolvidos em
fraudes.
Uma das pessoas que teve os sigilos bancário e fiscal quebrados foi o
“Careca do INSS”, o próximo a depor no colegiado.

Fonte: Vermelho

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