Acertos do governo Lula e disparates do bolsonarismo impulsionam avaliação positiva

Pesquisas mostram que brasileiros percebem melhorias resultantes
de atuação federal, bem como a verdadeira face anti-povo, autoritária

e nada patriótica da extrema direita

por  Priscila Lobregatte

Publicado 26/09/2025 12:19 | Editado 27/09/2025 09:34

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Uma série de pesquisas recentes mostra a consolidação da melhora
na avaliação do governo Lula, o que levanta aspectos importantes
sobre o atual cenário político — tanto do ponto de vista da atuação
federal quanto dos apuros vividos pela direita, especialmente a
bolsonarista. A um ano das eleições, esse empuxo é fundamental
para firmar uma trajetória ascendente e pavimentar uma segunda
vitória dos setores democráticos, populares e de esquerda contra a
extrema direita.

Pelo menos seis pesquisas apontam para esse quadro. Para ficar em
apenas algumas delas, a mais recente, Pulso Brasil/Ipespe, divulgada
nesta quinta-feira (25), indica um crescimento de sete pontos
percentuais na aprovação do governo, que chegou 50%, ante 48% de
desaprovação. A comparação foi feita em relação ao levantamento de
julho. Ao todo, foram ouvidas 2,5 mil pessoas entre os dias 19 e 22
deste mês.
Na avaliação do instituto, aspectos como a reação do governo ao
tarifaço de Donald Trump e a repercussão negativa da aprovação da
PEC da Bandidagem na Câmara podem ter contribuído para essa
leitura.
A Atlas/Intel mostrou movimento semelhante nas medições de junho
a setembro: os que avaliavam negativamente saíram de 51,8% para
48,3%, e os que acham o contrário subiram de 47,3% para 50,8%.
Com diferenças mais apertadas, mas seguindo também essa
tendência, o Datafolha mostrou que em abril 49% desaprovavam
contra 48% agora, índice que empatou com os que aprovam — essa
percepção havia oscilado dois pontos para baixo e depois voltou a
crescer.
A Ipsos/Ipec (antigo Ibope) também demonstrou melhora na
percepção, que saiu de 40% em março para 44% agora. Já os que
desaprovam caíram de 55% para 51%.
A sequência de pesquisas feitas pela Genial/Quaest desde março até
agora também aponta para uma tendência positiva. Se no primeiro
mês dessa série a desaprovação estava em 56%, em setembro e
agosto ficou em 51%, enquanto a aprovação, que era de 41%, foi
alçada a 46%.
Levantamento do mesmo instituto neste mês mostrou, ainda, que
para 64%, o governo Lula acertou ao defender a soberania nacional
frente aos EUA e 53% deram a mesma opinião sobre a aliança com o
Brics. Além disso, 49% disseram que Lula e o PT estavam agindo mais
corretamente na questão do tarifaço, contra 27% de Bolsonaro e
aliados.
Fatores centrais

A maneira como se forma a percepção popular sobre um
determinado assunto é multifacetada e vai desde aspectos
ideológicos, socioeconômicos e culturais até o impacto que causa no
seu dia a dia. No caso da avaliação de um governo, elementos desse
tipo têm ainda mais peso, assim como influenciam assuntos que
estão em alta no noticiário.
No caso do governo Lula — para além de erros políticos e de
comunicação e dos ataques sistemáticos e, em geral antiéticos da
direita — a soma de todos os fatores tem se mostrado positiva ao
governo.
Se no começo do ano foi necessário enfrentar o bombardeio vindo da
campanha sórdida feita pelos bolsonaristas contra medidas de maior
controle no Pix e da fraude do INSS — cujo esquema teve início
durante o governo anterior —, além da inflação sobre os alimentos,
mais recentemente a chave virou (e em parte com a ajuda dos
sucessivos tiros no pé dados pelo bolsonarismo).
Sobre esses temas, é importante lembrar que houve certa reversão.
Mais recentemente, a maior operação já feita contra o crime
organizado, deflagrada a partir de ações do Ministério da Justiça e da
Polícia Federal, revelou o uso de postos de combustíveis, sistema
financeiro e das transferências instantâneas por poderosas facções
tanto para viabilizar sua atuação quanto para lavar dinheiro.
Isso escancarou que o controle que o governo federal tentou
implementar no início do ano teria contribuído para rastrear essas
transações — mas, a atuação dos bolsonaristas (especialmente o
deputado Nikolas Ferreira) deixou o terreno livre para que os
criminosos seguissem usando essas ferramentas ilicitamente.
No caso da fraude no INSS, a atuação do governo para afastar
possíveis envolvidos, levantar o tamanho do rombo, atuar junto aos
órgãos de controle e de justiça para investigar e acabar com o
esquema — o que não foi feito durante os quatro anos de Bolsonaro
—, bem como a devolução dos valores roubados de aposentados e
pensionistas mostrou seriedade no enfrentamento da crise.

Da mesma forma, a inflação teve recuos importantes, sobretudo para
a parcela mais pobre da população. De acordo com o Ipea, em agosto
a queda na inflação foi mais sentida justamente por esse público.
Enquanto o índice oficial ficou negativo em 0,11%, o custo de vida
para famílias que ganham até R$ 3,3 mil teve recuo superior a 0,20%.
Cabe lembrar que em agosto o país teve deflação e em setembro,
uma redução considerável no grupo alimentício: os preços caíram
0,63%, a quarta queda seguida no ano. Entre os principais itens com
deflação, estiveram o tomate (-17,49%), a cebola (-8,65%), o arroz (-
2,91%) e o café moído (-1,81%), segundo o IPCA-15, do IBGE.
Importante também ressaltar o desemprego recorde, que vem
melhorando a renda dos trabalhadores, a o apoio à luta pelo fim da
jornada 6×1, que tramita no Congresso.
Outro elemento que conta positivamente é o reflexo de diversas
políticas sociais na vida do povo — além do Bolsa Família, o Pé-de-
Meia, o Gás do Povo e o Luz do Povo são alguns exemplos. Além
disso, o governo se dedicou à busca por justiça tributária por meio da
isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a
taxação BBB (bets, bancos e bilionários).
Erros em série
Mas, a cereja do bolo desse cenário positivo veio justamente pelas
mãos daqueles que queriam roubar o doce. A ação de bolsonaristas
dentro e fora do Brasil para estimular as chantagens de Donald
Trump contra o país em troca da suspensão do julgamento de Jair
Bolsonaro e seus comparsas por tentativa de golpe de Estado
funcionou como um bumerangue, voltando-se contra quem o lançou.
Embora o objetivo original fosse colocar as instituições brasileiras
contra a parede, os efeitos negativos do tarifaço de 50% para
empresários e trabalhadores, a altivez com que o governo lidou com
o caso, as saídas oferecidas aos prejudicados, bem como a histórica
condenação do ex-presidente e militares apesar da pressão ilegal,
explicitaram o quão nociva é a ação da extrema direita.
Ao mesmo tempo, a gritaria dos bolsonaristas em busca de uma
anistia injusta e seu apoio unânime à PEC da Bandidagem, o que

garantiu a aprovação da matéria na Câmara, foi outro belo tombo da
direita. A indignação popular refletida nas redes e em grandes
protestos nas ruas das capitais fez com que a proposta fosse barrada
no Senado, garantindo mais um revés para a direita. De brinde, a
anistia aos golpistas ainda perdeu força.
O momento, portanto, é estratégico para que as forças que apoiam
um projeto democrático e popular ampliem sua presença junto à
população, desmascarando o bolsonarismo e mostrando os avanços
que vêm sendo obtidos. Catalizar a indignação popular e direcionar
essa energia para um projeto avançado de Brasil é passo
fundamental para enterrar a extrema direita.

Fonte: Vermelho

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